2009/03/22

Jaime de Magalhães Lima Mascarenhas

Morreu, na 6ª feira, dia 20 de Março, às 23 horas, com 65 anos, no IPO, acompanhado pela filha, Helena, e a companheira, Ana, pouco depois de pôr em ordem planos de quem preza a vida e não se resigna a morrer.
Foi cremado hoje, às 14h e 30 m, no cemitério do Alto de São João. Aonde acompanharam o féretro muitos dos seus familiares e amigos. Estes de muitas origens. Dos seus muitos interesses. Profissionais, políticos, culturais.
No momento da partida da urna, no crematório, um amigo, de amizades que vinham dos tempos do exílio em Paris e do Maio de 68, pronunciou para todos nós a sua despedida que era também a nossa. Não foram palavras circunstanciais num acto formal. Foram palavras espontâneas que evocavam o grande Homem, o Amigo exemplar, que ele foi. O homem abnegado, frequentador da utopia que se expressa na ajuda ao seu semelhante, na solidariedade (nele tão natural) para com todos os que à sua volta com ele conviviam ou trabalhavam.
Era neto de Jaime Magalhães Lima, filósofo e ensaísta e sobrinho-neto de Sebastião Magalhães Lima grande figura de intelectual e revolucionário da República e Grão Mestre da Maçonaria (Grande Oriente Luzitano).
Jaime Mascarenhas era Matemático. Era Director no Instituto de Informática do Ministério das Finanças. Tinha, como informático, uma carreira muito auspiciosa e bem remunerada na IBM, em Paris, que trocou pelo regresso rápido ao Portugal novo saído do 25 de Abril, de 1974 para dar a sua contribuiçãso cívica à revolução que virava de pernas para o ar o Portugal o antigo. O Portugal colonial e da ditadura salazarista de botas e atacadores, retrógrado, bisonho e clerical. Depois quando tudo acalmou e se percebeu que o "Céu" não estava ali à mão, Jaime voltou à Matemática aplicada à informática outra das suas paixões, no ministério das Finanças.
Ontem, quando alguns dos amigos de Jaime Mascarenhas se davam a conhecer a amigos de outras latitudes intelectuais do largo leque dos seus interesses e amizades que à casa mortuária da Igreja de S. João de Deus acorreram ao último adeus, fiquei a saber que muitos deles eram seus colegas de trabalho. De equipas de trabalho actuais ou antigas na informática do MF. Quem não conhecesse o Jaime ficaria impressionadíssimo com os penhorados elogios que ali à volta todos (e eram muitos) queriam dar. À sua capacidade profissional, ao gestor de equipas, à sua capacidade de todos agregar com "savoir faire", com calor humano, nos objectivos profissionais do seu Insttituto de Informática. E alguns diziam como ele tinha sido o seu "professor" e o "chefe" sempre disponível a ajudar alguém da equipa aflito com algum problema maior. E de como era capaz de passar o fim de semana a estudar um problema para na 2ª feira "desenrascar" um colega que lhe pedira socorro. E como todos queriam pertencer à sua equipa. E como estava sempre a par "como se não tivesse aquela idade" dos últimos desenvolvimentos da informática. E de como descobriram com surpresa que afinal não era apenas na Matemática e na Informática que era um grande senhor. Era de Política, de História ou de qualquer dos muitos saberes que fazem de um técnico um homem de cultura.Claro que adorava a filha Lena, também ela Matemática, filha da minha irmã Helena, e os dois netinhos que, com 2 e cinco anos, suponho, ainda não se preocupam muito com o futuro informático da Humanidade nem com o uso que da Web 2 ela faça.

1 comentário:

Micas disse...

Porque será que aqueles que mais falta fazem e mais uteis à sociedade são, partem tão precocemente???

Um abraço