2019/11/11

Canção do Mar na TV russa

Uma bela canção portuguesa cantada na língua de Camões, na língua de Pushkin e em Tártaro.
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"As russas Elmira Kalimullina e Pelageya arrasaram num programa televisivo do seu país, com uma interpretação fenomenal do tema português Canção do Mar, da versão de 1993 do álbum "Lágrimas" da Dulce Pontes."
Cantam em Português, em Russo e em Tártaro.

2019/09/17

EDWARD SNOWDEN HERÓI DA HUMANIDADE

Memórias do homem que denunciou o “capitalismo de vigilância”

No livro Vigilância Massiva, Registo Permanente, que publica hoje (ed. portuguesa da Planeta), o antigo espião explica porque divulgou um programa global de vigilância. Eis um excerto (Jornal Público 2019-09-17) 

A razão por que está a ler este livro é eu ter feito uma coisa muito perigosa para alguém na minha posição: decidi dizer a verdade.
[O governo americano] assumiu, em segredo, o poder da vigilância massiva, uma autoridade que por definição afecta mais os inocentes do que os culpados
O meu nome é Edward Joseph Snowden. Costumava trabalhar para o governo, mas agora trabalho para o público. Demorei quase três décadas a perceber que há uma diferença, e quando isso aconteceu tive alguns problemas no escritório. Em consequência, agora dedico o meu tempo a proteger o público do género de pessoa que então era: um espião da Central Intelligence Agency (CIA) e da National Security Agency (NSA), mais um jovem técnico desejoso de construir aquilo que, tinha a certeza, ia ser um mundo melhor.

A minha carreira na Comunidade da Informação (CI) americana durou sete curtos anos, ou seja — e foi uma surpresa quando me apercebi disto —, só mais um ano do que o tempo do meu subsequente exílio num país que não escolhi. Durante esses sete anos, no entanto, tive a oportunidade de participar na mais significativa mudança na história da espionagem americana — a passagem da vigilância de alvos individualizados para a vigilância massiva de toda a população. Ajudei a tornar tecnologicamente exequível para um governo coligir as comunicações digitais do mundo inteiro, armazená-las por períodos indefinidos e consultá-las à vontade.
Depois do 11 de Setembro, a CI ficou esmagada pela culpa de não ter conseguido defender a América, por ter deixado que o ataque mais devastador e destrutivo contra o nosso país desde Pearl Harbor acontecesse “no seu turno”, para usar uma expressão popular. Em resposta, os seus líderes procuraram construir um sistema que evitasse serem apanhados mais uma vez com um pé no ar. Esse sistema teria como base a tecnologia, uma matéria alienígena para o seu exército de cientistas políticos e doutores em gestão administrativa. As portas das mais sigilosas agências de informação abriram-se de par em par para jovens técnicos como eu. E os nerds herdaram a Terra.
Se naquela altura havia qualquer coisa de que eu percebia, era de computadores, de modo que subi depressa. Com vinte e dois anos, recebi da NSA a minha primeira autorização de nível Muito Secreto para um lugar na base do organograma da instituição. Menos de um ano mais tarde, estava na CIA, como engenheiro de sistemas com acesso ilimitado a algumas das mais sensíveis redes do planeta. O único supervisor adulto era um tipo que passava o turno a ler romances de espionagem de Robert Ludlum e Tom Clancy.
As agências estavam a violar todas as regras que elas tinham estabelecido no empenho de contratar talento técnico. Em circunstâncias normais nunca contratavam ninguém que não tivesse pelo menos um bacharelato, ou, mais tarde, no mínimo frequência universitária, e eu não tinha nenhuma destas coisas. À luz de todas as normas, não devia ser autorizado a entrar no edifício. (...)
Com vinte e seis anos era, no papel, empregado da Dell, mas mais uma vez trabalhava para a NSA. A procura de fornecedores de serviços tinha-se tornado a minha cobertura, como a da maior parte dos espiões com tendências tecnológicas do meu grupo. Mandaram-me para o Japão, onde ajudei a conceber o que na prática acabou por ser o backup global da agência — uma massiva rede clandestina graças à qual mesmo que a sede da NSA fosse reduzida a cinzas por um ataque nuclear havia a certeza de que nenhuma informação se perderia. Na altura, não me apercebi de que criar um sistema capaz de manter um registo permanente da vida de toda a gente era um trágico erro.
Voltei aos EUA dois anos mais tarde e recebi uma promoção estratosférica para a equipa técnica que assegurava o relacionamento da Dell com a CIA. A minha função era reunir-me com os chefes das secções técnicas da CIA para criar e vender a solução para qualquer problema que eles fossem capazes de imaginar. A minha equipa ajudou a agência a construir um novo tipo de arquitectura de computação: a “nuvem”, a primeira tecnologia que permitia a qualquer agente, fosse qual fosse a sua localização física, aceder e pesquisar quaisquer dados de que precisasse, independentemente da distância.
Em resumo, o trabalho de gerir e conectar o fluxo de informação levou ao trabalho de descobrir como armazená-la para sempre, que por sua vez deu lugar ao trabalho de garantir que essa informação estava acessível e podia ser consultada em qualquer parte do mundo. Foi nestes projectos que me concentrei quando, com vinte e nove anos, fui para o Havai depois de ter aceite um novo contrato com a NSA. Até essa altura, tinha funcionado com base na doutrina da Necessidade de Saber, incapaz de compreender o propósito cumulativo por trás das minhas tarefas especializadas e compartimentadas. Foi só no paraíso que estive enfim numa posição que me permitia ver como todo o meu trabalho funcionava em conjunto, como as rodas dentadas de uma gigantesca engrenagem, para criar um massivo sistema de vigilância global.
Nas profundezas de um túnel sob uma plantação de ananases — uma antiga fábrica subterrânea de aviões da era Pearl Harbor —, sentava-me diante de um terminal que me dava um acesso quase ilimitado às comunicações de praticamente qualquer homem, mulher ou criança que à face da Terra usasse um telefone ou um computador. Entre essas pessoas havia cerca de 320 milhões de cidadãos americanos, meus compatriotas, que na condução normal das suas vidas quotidianas eram vigiados numa grosseira contravenção não só da Constituição dos Estados Unidos como dos valores mais básicos de qualquer sociedade livre.
A razão por que está a ler este livro é eu ter feito uma coisa muito perigosa para alguém na minha posição: decidi dizer a verdade. Coligi documentos da CI interna probatórios da violação da lei por parte do governo dos EUA e entreguei-os a jornalistas, que os avaliaram e mostraram a um mundo escandalizado.
Este livro é a respeito do que levou a essa decisão, dos princípios éticos e morais que a en formaram, e de como nasceram… o que significa que é também a respeito da minha vida.

Quartel-General da CIA em Langley - Virginia 

O que faz uma vida? Mais do que aquilo que dizemos; mais, até, do que aquilo que fazemos. Uma vida é também aquilo que amamos, e aquilo em que acreditamos. Para mim, aquilo que mais amo e em que mais acredito é conexão, conexão humana, e as tecnologias através das quais é conseguida. Essas tecnologias incluem livros, claro. Mas, para a minha geração, conexão tem significado sobretudo a internet.
Antes que recue, sabedor da loucura tóxica que infesta esse vespeiro nos nossos dias, compreenda que para mim, quando a conheci, a internet era uma coisa muito diferente. Era um amigo, e um pai. Era uma comunidade sem fronteiras nem limites, uma voz e milhões, um território comum ocupado mas não explorado por várias tribos que viviam em amizade lado a lado, e cada um era livre de escolher o seu nome e a sua história e os seus costumes. Todos usavam máscaras, e no entanto esta cultura de anonimidade-através-da polinomia produzia mais verdade do que falsidade, porque era criativa e cooperativa em vez de comercial e competitiva. Claro que havia con flito, mas era mais do que compensado pela boa vontade e os bons sentimentos: o verdadeiro espírito dos pioneiros.
Compreender-me-á, então, quando digo que a internet dos nossos dias está irreconhecível. Não importa que esta escolha tenha sido consciente, resultado de um esforço sistemático por parte de alguns poucos privilegiados. O impulso inicial para transformar comércio em “e-comércio” levou muito depressa à criação de uma bolha, e então, logo a seguir ao virar do milénio, a um colapso. Depois disso, as empresas perceberam que as pessoas que entravam online estavam muito menos interessadas em gastar do que em partilhar, e que a conexão humana possibilitada pela internet podia ser monitorizada. Se o que a maior parte das pessoas
online queria era poder dizer à família, aos amigos, a desconhecidos o que estava a fazer, e em troca saber o que estavam a fazer a família, os amigos e os desconhecidos, a única coisa de que as empresas precisavam era arranjar maneira de situar-se no meio destes intercâmbios sociais e lucrar com isso.
Foi o começo do capitalismo de vigilância, e o fim da internet tal como eu a conhecia.
Ora bem, foi a web criativa que colapsou, e inúmeros sites individualizados, criativos e difíceis fecharam portas. A promessa de conveniência levou as pessoas a trocar os seus sites pessoais — que exigiam uma manutenção constante e trabalhosa — por uma página no Facebook e uma conta Gmail. Era fácil tomar a aparência de propriedade pela sua realidade. Poucos de nós o compreenderam na altura, mas nada daquilo que passaríamos a partilhar continuaria a pertencer-nos. Os sucessores das empresas de e-comércio que tinham falhado por não conseguir encontrar qualquer coisa que estivéssemos interessados em comprar tinham agora um novo produto para vender.
O novo produto éramos Nós. 
A nossa atenção, a nossa actividade, os nossos lugares, os nossos desejos — tudo a nosso respeito que revelávamos, tendo ou não consciência disso, estava a ser vigiado e vendido em segredo, de modo a adiar a inevitável sensação de violação que, para a maior parte de nós, só agora começa a aparecer. E esta vigilância continuaria a ser encorajada de uma forma activa, e até financiada, por um exército de governos gulosos do enorme volume de informação que iriam obter. Exceptuando o acesso e as transacções financeiras, poucas ou nenhumas comunicações eram encriptadas na primeira década dos anos 2000, o que significa que em muitos casos os governos nem tinham de dar-se ao trabalho de abordar as empresas para saber o que os respectivos clientes andavam a fazer. Bastava-lhes espiar o mundo sem dizer nada a ninguém.
O governo americano, em total desrespeito pela sua carta fundadora, foi vítima desta tentação, e uma vez provado o fruto desta árvore venenosa foi assaltado por uma febre incurável. Assumiu, em segredo, o poder da vigilância massiva, uma autoridade que por de fi nição afecta mais os inocentes do que os culpados. Só quando cheguei a uma compreensão mais profunda desta vigilância e dos seus males comecei a ser perseguido pela consciência de que nós, o povo — o povo não de um só país mas do mundo inteiro —, nunca tivemos direito de voto, e nem de expressar a nossa opinião, neste processo. O sistema de vigilância quase universal tinha sido criado não só sem o nosso consentimento, mas também de uma forma que escamoteava ao conhecimento, de intenção deliberada, todos os aspectos dos seus programas. A cada passo, a mudança dos procedimentos e as suas consequências eram ocultadas a toda a gente, incluindo a maior parte dos legisladores. 
Para quem podia voltar-me? Com quem podia falar?

2019/04/28

A Libertação dos presos políticos de Caxias pelos capitães de Abril

A convite da Associação 25 de Abril participei numa comissão com alguns " capitães de Abril" numa comissão que apoiou a CM de Oeiras nas comemorações do 45º aniversário da revolução dos cravos, que inclui uma estátua a erigir mais tarde e a inauguração de uma lápide em homenagem aos presos políticos no jardim em frente da prisão (Reduto Norte) no dia 26 de Abril de 1974, exactamente 45 anos depois da libertação.

Deixo aqui algumas fotografias da homenagem aos que tanto lutaram e sofreram para usufruirmos hoje da Liberdade que gozamos.
Na 1ª foto vê-se, de costas, a Ministra da Justiça, Francisca Van Dunem, o presidente da CMOeiras Isaltino Morais e Manuel Alegre autor do poema impresso na lápide, no momento em que a inauguravam.
Na 2ª foto estou eu com Mário Pinto, o então capitão e agora coronel reformado, comandante da força de paraquedistas que libertou os presos em 26 de Abril de 1974.
Nas outras fotos, se as ampliarem com um clique, reconhecerão vários outros "capitães de Abril" nomeadamente o Otelo.
Depois dos discursos da Ministra da Justiça, de Manuel Alegre e de Isaltino Morais, fez-se a abertura simbólica do grande portão de ferro da prisão e dele saíram não os ex-presos mas um lindo e vibrante  grupo de miúdas e miúdos, alunos dos primeiros anos de escolaridade, alguns deles netos de ex-presos. Correram para nós e ofereceram-nos um saco com os versos da lápide que se vê na foto onde estou com Mário Pinto e dentro um cravo vermelho e uma folha decorada com uma pintura e uns versos da autoria de cada um. A mim uma jovenzinha ofereceu-me a "obra de arte" que vai reproduzida aqui em baixo que no verso tem escrito EBS. Bruno 3º ano Maria L Leonor.
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2018/11/09

Homenagem a Edmundo Pedro no CCB quando faria 100 anos

Ontem, dia 8 de Nov de 2018, decorreu no Centro Cultural de Belém, em Lisboa, por iniciativa do seu presidente, Elísio Summavielle, uma homenagem a Edmundo Pedro falecido há pouco e que faria 100 anos nesta data. 
Com a sala repleta a homenagem reuniu muitos dos amigos de Edmundo.
Além de Elísio Summavielle que moderou a sessão esta teve como oradores João Soares, Luís Osório, Vasco Lourenço, Fernando Pereira e Paulo Almeida. 
Os oradores fizeram a história do combatente anti-fascista Edmundo Pedro e também em parte do pai Gabriel Pedro e restante família.
A pedido da mesa e na sequência de sugestão de João Soares falei da vinda de Gabriel Pedro,  pai de Edmundo, a Portugal em Outubro de 1970, e na sua participação na primeira acção armada da ARA, a sabotagem do Cunene. Gabriel Pedro estava exilado em Paris e era procurado pela PIDE, apesar disso e dos seus 70 anos de idade, insistiu junto do PCP, em Paris, para vir clandestinamente a Portugal e participar na primeira acção armada da ARA.
Referi depois o activo papel de Edmundo Pedro no Movimento Cívico "Não Apaguem a Memória" - NAM, de que era um dos sócios honorários. Com esse objectivo fiz um power-point que foi exibido no início da sessão. A homenagem terminou com a exibição de um pequeno vídeo da Fernanda Paraíso onde Edmundo dá uma entrevista, pouco tempo antes de falecer. 

Seguem-se imagens do power-point: sobre participação de Edmundo em iniciativas do NAM de que era sócio honorário.
 Visita do NAM à antiga prisão política do Forte de Peniche em 2006-04-01
2006-07-01  NAM organiza concentração de ex-presos políticos e amigos, no Aljube, para reivindicar museu. Edmundo no início da escada, à esquerda.  (Iniciativa do associado Artur Pinto e também ex-preso político na cadeia do Aljube ).
..Nas traseiras do Aljube, Edmundo Pedro fala aos presentes
2006-10-05  Manifestação com início do local da antiga sede da PIDE, em Lisboa, contra a decisão da PGR que declarou arguidos João Almeida e Duran Clemente  na manifestação, origem do NAM, em 2005-10-05, junto do local da antiga sede da PIDE. Fala Henrique de Sousa pelo NAM.
2006-12-06 Homenagem aos ex-presos políticos. Edmundo Pedro e Nuno Teotónio Pedro descerram lápide no antigo tribunal Plenário da Boa Hora. Seguiu-se sessão solene.
2008-10-05 Tela gigante, junto da ex-sede da PIDE, no 3º aniversário do NAM
Os autores da tela - alunos da Escola Superior de Belas Artes com o prof. Lima de Carvalho
2008-10-05   Edmundo Pedro apõe assinatura na tela 
2008-10-29 Colóquio  na Assembleia da República “Tarrafal: uma prisão dois continentes” – Fundação Mário Soares - NAM
 2008-10-29 “Tarrafal: uma prisão dois continentes” a assistência.
.2008-10-29 Colóquio “Tarrafal: uma prisão dois continentes
Homenagem na FIL a Edmundo Pedro no seu 90º Aniversário
 2009 -04-28  simpósio, no Tarrafal. Organização: Governo de Cabo Verde, Fundação Mário Soares, e NAM.  Intervenção Pedro Pires  presidente da República de Cabo Verde.
Mário Soares fala no Simpósio do Tarrafal
 Prisões do campo de concentração do Tarrfal 
"O segredo" celas de castigo.
Edmundo e Mário Soares no Tarrafal durante o simpósio.
2010-04-25 Edmundo Pedro fala na inauguração de uma placa que assinala a antiga sede da PIDE, iniciativa do NAM em colaboração com a CML.
2012-01-04  Homenagem pelo 50º aniversário, aos heróis da revolta do quartel de Beja. Organização da Comissão de Participantes [no assalto] e NAM .
      2014-01-28  Homenagem aos advogados dos presos políticos da ditadura - Iniciativa NAM                           com a Assembleia da República.  (Foto da autoria do fotógrafo José Gema)

Na homenagem, na AR aos advogados dos presos políticos da ditadura (Foto da autoria do fotógrafo José Gema)

2018/10/02

Charles Aznavour morreu hoje 2018-10-01

O cantor francês Charles Aznavour morreu hoje aos 94 anos, segundo informou a sua porta-voz à agência AFP.     Link - DN             
Famoso por canções como La Bohème, Emmenez-moi ou Je Me Voyais Déjà, Charles Aznavour foi considerado pela CNN e pelo jornal The Times como o "o mais importante cantor de variedades do século XX".



Na sua longuíssima carreira, interpretou mais de 1400 canções em sete línguas, fez espetáculos em 94 países. Portugal não foi exceção, com Aznavour a atuar na Altice Arena em dezembro de 2016, na sua última passagem por Lisboa.
Aznavour morreu na sua casa de Alpilles, no sul de França. Tinha acabado de regressar de uma digressão no Japão, após ter sido forçado a anular os concertos no verão devido a uma queda que lhe provocou uma fratura num braço.
Apesar da idade, Aznavour tinha um concerto agendado para 26 de outubro, em Bruxelas. "Não estou velho, sou idoso. Não é o mesmo", gostava de dizer.
Uma infância de romance

Filho de Misha Aznavourian, cujo pai fora cozinheiro do czar Nicolau II da Rússia, e de Knar, nascida numa família de comerciantes arménios que fugiram da Arménia durante o massacre pelos turcos em 1915, Shahnourth Varinag Aznavourian (de seu nome de batismo) nasceu em Paris a 22 de maio de 1924. Os pais, vindos de Salónica, na Grécia, esperavam, na capital francesa, o visto para os EUA. Mas foi em França que acabaram por se instalar.
Estreou-se num palco a dançar músicas tradicionais do Cáucaso em dezembro de 1933, aos 9 anos, mas foi ao lado do jovem compositor de jazz Pierre Roche que irá criar, a partir dos 17 anos, o duo Roche e Aznavour. Mas a sua grande oportunidade surgiu com Édith Piaf, que conhece aos 22 anos e que irá acompanhar nos concertos, em França e pelos EUA, durante oito anos.
O grande sucesso (e o início da lenda) só surgirá aos 36 anos, num primeiro grande concerto a solo na sala Alhambra, em Paris. Depois de uma receção pouco calorosa nas primeiras canções, Aznavour deslumbra com Je m'Voyais Déjà, que relata a história de um artista com dificuldades em lançar a sua carreira. Foi aplaudido longamente de pé.


Além da carreira musical, Aznavour fez também carreira no cinema, entrando em cerca de 80 filmes. Em 2017, recebeu uma estrela no Passeio da Fama de Hollywood.
Aznavour foi casado três vezes e teve seis filhos.

Reações do governo

"Profundamente francês, visceralmente ligado às suas raízes arménias, reconhecido em todo o mundo, Charles Aznavour terá acompanhado as alegrias e as tristezas de três gerações. As suas obras-primas, o seu timbre, o seu brilho único sobreviverão por muito tempo", escreveu o presidente francês, Emmanuel Macron, no Twitter. "Partilharmos com o povo arménio o luto do povo francês", acrescentou noutra mensagem.

2018/07/12

ARA - As ACÇÕES ARMADAS e os seus EXECUTANTES

Acções Armadas executadas pela 

                                  ACÇÃO REVOLUCIONÁRIA ARMADA - ARA
 
Comando Central
(Constituído em Julho de 1970)
Jaime Serra,  Francisco Miguel,  Raimundo Narciso.

Responsáveis directos por infraestruturas

Paiol Central: Francisco Presúncia o (Galiza), a sua mulher Manuela e Francisco Miguel.
Laboratório, garagens, arrecadações: Raimundo Narciso e Maria Machado.




Operações
1-     Cunene (Navio Cargueiro da logística da guerra colonial) – 26-10-1970
Direcção da execução: Raimundo Narciso
Executantes: Gabriel Pedro, Carlos Coutinho.
Apoio à acção: ‑António João Eusébio, António Pedro Ferreira, Manuel Policarpo Guerreiro, Victor d’Almeida d’Eça
Reconhecimento: Jaime Serra, Raimundo Narciso
2-     Escola Técnica da PIDE – 20-11-1971
Direcção de execução: Francisco Miguel
Execução: Carlos Coutinho
Apoio à acção: António João Eusébio
3-     Centro Cultural dos EUA – 20-11-1971
Direcção de execução: Raimundo Narciso
Execução: «Romeu»
4-   Material de guerra no Cais da Fundição (para a guerra colonial)  – 20-11-1971
Direcção de execução: Raimundo Narciso
Execução: António Pedro Ferreira, Manuel Santos Guerreiro.
5-     Base Aérea de Tancos (Instrução de pilotos para a guerra colonial) – 8-03-1971
Direcção de execução: Raimundo Narciso
Execução: Carlos Coutinho, Ângelo de Sousa, António João Eusébio
Apoio à acção: Ramiro Morgado
6-     Central de telecomunicações (1ª reunião altos comandos NATO em Portugal)  – 3-06-1971
Direcção de execução: Raimundo Narciso
Execução: Carlos Coutinho, António João Eusébio
Apoio à acção: Alberto Serra
Corte de torres da rede eléctrica primária (1ª reunião de altos comandos da NATO em Portugal)– 3-06-1971
7-     Em Sacavém
Direcção de execução: Raimundo Narciso
Execução: ‑Carlos Coutinho, António João Eusébio, Ramiro Morgado, Raimundo Narciso
8-     Em Belas
Direcção de execução: Francisco Miguel
Execução: ‑Francisco Miguel, Manuel Policarpo Guerreiro, Manuel dos Santos Guerreiro
9-     Assalto ao Paiol – 3-10-1971
Direcção de execução: Raimundo Narciso
Execução: ‑Manuel Guerreiro, Manuel Policarpo Guerreiro, Amado Ventura da Silva, Jorge Trigo de Sousa, Raimundo Narciso.
Apoio à acção: Francisco Miguel
10- Quartel da NATO em Oeiras (a inaugurar 2 dias depois pelo PR)– 30-10-1971
Direcção de execução: Raimundo Narciso
Execução: Manuel Santos Guerreiro, Manuel Policarpo Guerreiro.
Apoio à acção: Jorge Trigo de Sousa, Victor Almeida d’Eça
11- Material de guerra a embarcar no Muxima para a guerra colonial – 25-01-1972
Direcção de execução: Raimundo Narciso
Execução: Manuel Guerreiro, António Pedro Ferreira
Apoio à acção: António Pedro Ferreira
Sabotagem da rede eléctrica primária no dia da "Eleição" do PR – 10-08-1972
12- Porto
Direcção de execução: Jaime Serra
Execução: António João Eusébio, Manuel Policarpo Guerreiro, Jaime Serra
13- Coimbra
Direcção de execução: Raimundo Narciso/Ângelo de Sousa
Execução: Ângelo de Sousa, Manuel Santos Guerreiro, Constantino.
14- Lisboa – Alverca
Direcção de execução: Raimundo Narciso
Execução: Carlos Coutinho, Ramiro Morgado, Raimundo Narciso
Apoio: António Pedro Ferreira e Victor Almeida d’Eça
15 -  Lisboa – Belas
Direcção de execução: Francisco Miguel
Execução: Francisco Miguel, Amado Ventura da Silva, Mário Abrantes da Silva.
________________ 
Jaime Serra esteve ausente do Comando Central entre Setembro de 1971 e Maio de 1972, período em que, com Carlos Coutinho, Ângelo de Sousa e António João Eusébio, frequentou um curso militar, na União Soviética.

  ‑Todas as acções armadas tais como outras decisões importantes eram discutidas, planeadas e decididas, colectivamente, pelo Comando Central que reunia na casa (clandestina) de Raimundo e Maria Machado.

   ‑ A relação inclui apenas os elementos que participaram directamente nas acções, na sua execução ou no apoio à sua execução. Não faz menção aos que deram apoio noutros momentos como seja os reconhecimentos, a concepção, ou apoios de carácter técnico.
   ‑Por isso não inclui o Almendra e a sua mulher (clandestinos) nem José Augusto Brandão que participaram no reconhecimento de vários objectivos.

   ‑ Nesta descrição não aparecem dois membros da ARA que desenvolveram uma actividade permanente e muito importante, Maria Machado, minha mulher e Laura Serra, mulher de Jaime Serra. Participaram directamente em aspectos relevantes das acções armadas, na sua preparação, nos reconhecimentos, em trabalhos técnicos. Ainda que noutro plano, tiveram importante papel a Manuela, mulher de Francisco Presúncia, a «companheira» de Francisco Miguel e Fernanda Castro mulher de Ângelo de Sousa (na clandestinidade).

   ‑ Intervenção ou apoio aos respectivos companheiros ou maridos, em graus diferentes, tiveram também todas ou quase todas as mulheres dos principais operacionais e activistas, como por exemplo a Maria José Ferreira, a Antonieta Coutinho, a Margarida Correia.

2018/06/28

O Bispo pede: "oremos pelo nosso chefe Salazar"

Limpava o computador de ficheiro antigos e sem préstimo quando descobri este justíssimo grito de indignação do Bispo de Coimbra, lançado nesta cidade, em 23 de Julho de 1937, em apoio do santo Salazar.
O Sr Bispo concedeu - e ainda bem - 50 dias de indulgências a quem fizesse uma reza pelo "nosso Chefe Salazar. O Senhor o conserve e lhe conceda longa vida, e lhe dê felicidade sobre a terra e não o abandone jamais às ciladas dos seus inimigos." Palavras do Senhor bispo.
E assim com a ajuda da PIDE e da Santa Madre Igreja o nosso querido e misógino Chefe - o Botas de Santa Comba Dão - aguentou-se 48 anos no poder, tendo conseguido que Portugal chegasse aos anos 70 do sé XX como o país mais pobre, mais analfabeto e mais atrasado do Europa. 
[Descobri agora que esta preciosidade documental a encontrei no mural do Face de Carlos Esperança em 2015 08 09. Obrigado Carlos Esperança]