2017/03/04

A BeataZita Voz do Centenário


Não estejam preocupados com o perigo de qualquer pestilência porque limpei com álcool e clorofórmio. 
Dado que Portugal é país de milagres o Santo Padre, está a ponderar - segundo círculos da Santa Sé bem informados - quando visitar Fátima, neste ano do 100º aniversário da aparição de Nossa Senhora numa azinheira, aos pastorinhos, canonizar não apena a irmã Lúcia mas também a BeataZita tendo em conta o 4º segredo de Fátima o da conversão da Rússia (de ortodoxa a católica suponho). 
Contenham as lágrimas.


2017/02/03

Almada Negreiros na Gulbenkian

A Gulbenkian vai mostrar-nos 400 obras do grande Almada Negreiros (1993-1970). Pintura, desenho, vitral, cerâmica, cinema, teatro, dança, poesia. Tudo. O futurista, o vanguardista, o surrealista foi amigo de Fernando Pessoa, que o tratava carinhosamente como o "bebé do Orpheu", amigo de Amadeu Sousa Cardoso, de Sá Carneiro ou Santa Rita Pintor.  
Conheci-o em 1957, em Lisboa, numa conferência na Sociedade Nacional de Belas Artes, em que ele mostrava os 4 quadros, geometria a preto e branco (aqui em baixo), que estão no Museu de Arte de Moderna da Fundação Gulbenkian e nos explicava, atónitos, a magia da relação 9-10 e outros conspícuas transcendências exotéricas. Almada a todos impressionava pela pintura, pela palavra e pela irreverente atitude.
Dois anos mais tarde confraternizei diariamente com o filho, também José Almada Negreiros como o pai e também ele uma figura, quanto cumpríamos o serviço militar obrigatório, em Vendas Novas, em Cascais e em Torres Novas. 
Depois do 25 de Abril, já não nos víamos há muito – “et pour cause” - fui jantar com ele e o Ernâni Pinto Basto a "O velho Mirante", na Pontinha. Eu e o Ernâni chegamos nuns carritos rafeiros, de 1200 cc de cilindrada quando o Almada se apeou de um deslumbrante Porsche. Não nos querendo deixar mal olhou para os nossos carros de pechisbeque e garantiu " Eh pá, não tenho dinheiro para andar a comprar carros desses e ter de mudar todos os anos!"
Já ambos nos deixaram.  
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Não se distraiam: 400 obras do grande Almada, na Gulbenkian. 

 
Pai  Filho










2017/01/18

Zeca Afonso canta José Dias Coelho. "A morte saiu à rua"


A Canção do Zeca Afonso é dedicada ao Pintor Dias Coelho (1924 - 1961). Em baixo: fotos de Dias Coelho, da mulher, Margarida Tengarrinha (anos 80?) e das duas filhas, Teresa Dias Coelho (anos 2000 ?) também pintora e Margarida Dias Coelho (anos 2000?) a mais nova.

Seguem-se gravuras de Dias Coelho.
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«Eram oito horas da noite, de 19 de Dezembro de 1961. José Dias Coelho, funcionário clandestino do PCP, seguia pela Rua dos Lusíadas [em Lisboa]. Cinco agentes da PIDE saltaram de um automóvel, perseguiram-no, cercaram-no e dispararam dois tiros. Um tiro à queima-roupa, em pleno peito, deitou-o por terra; o outro foi disparado com ele já no chão. Os assassinos meteram-no num carro e partiram a toda a velocidade. Só duas horas depois, quando estava a expirar, o entregaram no Hospital da CUF. «De todas as sementes deitadas à terra, é o sangue derramado pelos mártires que faz levantar as mais copiosas searas»: eis a legenda que José Dias Coelho dera à sua última gravura, criada um mês antes de ser assassinado, e representando o assassínio do operário Cândido Martins Capilé à frente de uma manifestação popular.»
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A Morte Saiu À Rua
José Afonso

A morte saiu à rua num dia assim
Naquele lugar sem nome pra qualquer fim
Uma gota rubra sobre a calçada cai
E um rio de sangue dum peito aberto sai

O vento que dá nas canas do canavial
E a foice duma ceifeira de Portugal
E o som da bigorna como um clarim do céu
Vão dizendo em toda a parte o pintor morreu

Teu sangue, Pintor, reclama outra morte igual
Só olho por olho e dente por dente vale
À lei assassina à morte que te matou
Teu corpo pertence à terra que te abraçou

Aqui te afirmamos dente por dente assim
Que um dia rirá melhor quem rirá por fim
Na curva da estrada há covas feitas no chão
E em todas florirão rosas duma nação.

Julgamento de antifascistas


"Tipografia" usada na clandestinidade.