2017/06/08

Watch Obama ‘hey-ho’ his way through Ray Charles’ ‘What’d I Say’

Com Bush ou Obama a política da Casa Branca manteve-se fiel aos interesses das suas multinacionais, do Pentágono, dos multimilionários, manteve-se fiel ao domínio imperial. Mas como personagem Obama marcou a diferença. Nem estou a alargar a comparação à inimaginável avantesma do presente.


Video by PBS/In Performance at the White House


After saying he wasn’t going to sing Wednesday night, President Barack Obama broke his promise at the tail end of a Ray Charles tribute concert at the White House.
The president thanked the crowd that had packed into the East Room of the White House in what was the final “In Performance” concert, a long-standing series produced by WETA since the late 1970s, of his administration.
“It is fitting that we pay tribute one of the most brilliant and influential of our times: the late, great ‘Genius’ himself, Mr. Ray Charles,” Obama said of the iconic soul musician, amid Black History Month.
The nights performers capped the musical tribute to the singer with a live performance of Charles’ immortal “What’d I Say.” Usher led the song, before Leon Bridges, Demi Lovato, Brittany Howard and others all joined the stage. At the end of the song, Obama, with the first lady nearby, led the crowd through the song’s famous hey-ho call and response.
PBS stations nationwide will air “Smithsonian Salutes Ray Charles: In Performance at the White House” tonight, Feb. 26, 2016, at 9 p.m. EST. Check your local listings.
Editor’s note: The headline has been changed to reflect the correct spelling of Ray Charles’ song “What’d I Say.”

2017/06/07

Vou tentar falar sem dizer nada

Grupo Outubro.mpg  -   http://youtu.be/TPDFmxxeT0E

     


VOU TENTAR FALAR SEM DIZER NADA

                                        Eu vou tentar, prometo, que destes versos
                                        Não saia uma canção mal comportada
                                        Eu vou tentar não falar do que acontece
                                        Eu vou tentar falar sem dizer nada.

                                        Não vou, por isso, falar da exploração
                                        Nem sequer do amor à Liberdade;
                                        Da luta pela terra e pelo pão
                                        E do apego à Paz da humanidade.

                                        Vou tentar não falar do que acontece
                                        Vou tentar falar sem dizer nada

                                        Vocês preferem que eu vos fale
                                        De grilos a cantar e gambuzinos?
                                        A vossa vontade será feita
                                        Eu calarei a fome dos meninos.

                                        Vocês preferem que eu vos cante
                                        Sem vos lembrar os tiros e as facas?
                                        A vossa vontade será feita
                                        Eu calarei o frio das barracas
                                     
                                        Vou tentar não falar do que acontece
                                        Vou tentar falar sem dizer nada

                                        Vocês preferem que eu vos fale
                                        Com um sorriso a iluminar-me as trombas?
                                        A vossa vontade será feita
                                        Eu calarei o estilhaçar das bombas.

                                        Vocês vão gostar que eu não cante
                                        A luta de nós todos todo o ano
                                        A vossa vontade será feita
                                        Não falarei do povo alentejano

                                       Vou tentar não falar do que acontece
                              Vou tentar falar sem dizer nada

                                        Não falarei do luxo e da miséria
                                        Não falarei do vício e da canseira
                                        Não falarei das damas, das mulheres
                                        De tudo o que se passa à nossa beira

                                        Não falarei do Amor, nem da Verdade
                                        Nem do suor deixado no trigal;
                                        Eu não ofenderei vossas excelências

                                        Nem a civilização ocidental!






2017/03/04

A BeataZita Voz do Centenário


Não estejam preocupados com o perigo de qualquer pestilência porque limpei com álcool e clorofórmio. 
Dado que Portugal é país de milagres o Santo Padre, está a ponderar - segundo círculos da Santa Sé bem informados - quando visitar Fátima, neste ano do 100º aniversário da aparição de Nossa Senhora numa azinheira, aos pastorinhos, canonizar não apena a irmã Lúcia mas também a BeataZita tendo em conta o 4º segredo de Fátima o da conversão da Rússia (de ortodoxa a católica suponho). 
Contenham as lágrimas.


2017/02/03

Almada Negreiros na Gulbenkian

A Gulbenkian vai mostrar-nos 400 obras do grande Almada Negreiros (1993-1970). Pintura, desenho, vitral, cerâmica, cinema, teatro, dança, poesia. Tudo. O futurista, o vanguardista, o surrealista foi amigo de Fernando Pessoa, que o tratava carinhosamente como o "bebé do Orpheu", amigo de Amadeu Sousa Cardoso, de Sá Carneiro ou Santa Rita Pintor.  
Conheci-o em 1957, em Lisboa, numa conferência na Sociedade Nacional de Belas Artes, em que ele mostrava os 4 quadros, geometria a preto e branco (aqui em baixo), que estão no Museu de Arte de Moderna da Fundação Gulbenkian e nos explicava, atónitos, a magia da relação 9-10 e outros conspícuas transcendências exotéricas. Almada a todos impressionava pela pintura, pela palavra e pela irreverente atitude.
Dois anos mais tarde confraternizei diariamente com o filho, também José Almada Negreiros como o pai e também ele uma figura, quanto cumpríamos o serviço militar obrigatório, em Vendas Novas, em Cascais e em Torres Novas. 
Depois do 25 de Abril, já não nos víamos há muito – “et pour cause” - fui jantar com ele e o Ernâni Pinto Basto a "O velho Mirante", na Pontinha. Eu e o Ernâni chegamos nuns carritos rafeiros, de 1200 cc de cilindrada quando o Almada se apeou de um deslumbrante Porsche. Não nos querendo deixar mal olhou para os nossos carros de pechisbeque e garantiu " Eh pá, não tenho dinheiro para andar a comprar carros desses e ter de mudar todos os anos!"
Já ambos nos deixaram.  
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Não se distraiam: 400 obras do grande Almada, na Gulbenkian. 

 
Pai  Filho










2017/01/18

Zeca Afonso canta José Dias Coelho. "A morte saiu à rua"


A Canção do Zeca Afonso é dedicada ao Pintor Dias Coelho (1924 - 1961). Em baixo: fotos de Dias Coelho, da mulher, Margarida Tengarrinha (anos 80?) e das duas filhas, Teresa Dias Coelho (anos 2000 ?) também pintora e Margarida Dias Coelho (anos 2000?) a mais nova.

Seguem-se gravuras de Dias Coelho.
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«Eram oito horas da noite, de 19 de Dezembro de 1961. José Dias Coelho, funcionário clandestino do PCP, seguia pela Rua dos Lusíadas [em Lisboa]. Cinco agentes da PIDE saltaram de um automóvel, perseguiram-no, cercaram-no e dispararam dois tiros. Um tiro à queima-roupa, em pleno peito, deitou-o por terra; o outro foi disparado com ele já no chão. Os assassinos meteram-no num carro e partiram a toda a velocidade. Só duas horas depois, quando estava a expirar, o entregaram no Hospital da CUF. «De todas as sementes deitadas à terra, é o sangue derramado pelos mártires que faz levantar as mais copiosas searas»: eis a legenda que José Dias Coelho dera à sua última gravura, criada um mês antes de ser assassinado, e representando o assassínio do operário Cândido Martins Capilé à frente de uma manifestação popular.»
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A Morte Saiu À Rua
José Afonso

A morte saiu à rua num dia assim
Naquele lugar sem nome pra qualquer fim
Uma gota rubra sobre a calçada cai
E um rio de sangue dum peito aberto sai

O vento que dá nas canas do canavial
E a foice duma ceifeira de Portugal
E o som da bigorna como um clarim do céu
Vão dizendo em toda a parte o pintor morreu

Teu sangue, Pintor, reclama outra morte igual
Só olho por olho e dente por dente vale
À lei assassina à morte que te matou
Teu corpo pertence à terra que te abraçou

Aqui te afirmamos dente por dente assim
Que um dia rirá melhor quem rirá por fim
Na curva da estrada há covas feitas no chão
E em todas florirão rosas duma nação.

Julgamento de antifascistas


"Tipografia" usada na clandestinidade.