2011/12/20

Debate sobre a luta armada no período marcelista

Amanhã, 4ª feira, 21 de Dezembro, às 18 h, na exposição do ALjube (ao lado da Sé de Lisboa) Fernando Pereira Marques, Carlos Antunes e Raimundo Narciso vão falar da luta armada para derrubar o regime que marcou os últimos anos do fascismo. ______________
1º Comunicado da ARA emitido por ocasião da sua 1ª acção armada em Outubro de 1970:

O Diário de Notícias, de 25 de Abril de 1999, publicou o artigo, abaixo reproduzido, de António Valdemar:
O último julgamento do tribunal plenário

"Na manhã do próprio 25 de Abril [de 1974], antes da consolidação do MFA, decorria, na Boa Hora, mais uma sessão do julgamento do caso da ARA (Acção Revolucionária Armada), organização afecta ao Partido Comunista. Foi o último processo a ser julgado naquele tribunal de execrável memória. Presidia o desembargador Fernando Morgado Florindo. Na sequência da ligação directa do Plenário com a PIDE, Morgado Florindo exarou um despacho, até agora inédito e que reproduzimos na íntegra:

"Tendo a Direcção-Geral de Segurança comunicado telefonicamente a impossibilidade de assegurar a condução dos réus a este tribunal, devido ao Movimento das Forças Armadas, adiou "sine-die" o julgamento. "
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Presos em Janeir/Fevereiro de 1973 aguardavam julgamento
Carlos Coutinho, (31 anos) arquivista no jornal O Século.
Manuel Policarpo Guerreiro, (31anos) operário, pintor da construção civil.
Manuel Guerreiro, (31 anos) motorista, de Grândola.
Amado Ventura da Silva (29 anos) engenheiro agrónomo.
Mário Wren Abrantes da Silva, (24 anos) estudante de Agronomia.
Ramiro Morgado (34) anos, operário, lapidador de diamantes, de Moscavide.

Estes operacionais da ARA foram presos em Janeiro/Fevereiro de 1973, na sequência da prisão de um funcionário do PCP, que passou a colaborar com a PIDE e que denunciou contactos antigos com alguns destes membros da ARA quando faziam parte de organizações que ele controlou.
A ARA foi uma organização criada pelo PCP para a luta armada contra o regime fascista e em especial contra as guerras coloniais de Angola, Guiné-Bissau e Moçambique.

A preparação das acções armadas teve início ainda em 1964 mas sucessivas vagas de prisões, desencadeadas pela PIDE/DGS contra o PCP, atrasaram e interromperam o processo do seu levantamento. Activa entre 1970 e 73, realizou acções armadas com grande impacto político.
A ARA era uma organização pequena, com regras de secretismo muito severas, que repudiava o terrorismo planeando as acções de modo a evitar atingir pessoas, mesmo acidentalmente.

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Acçãos armadas realizadas pela ARA


26-11-1970 – Sabotagem do navio Cunene, o mais moderno cargueiro português, dedicado à logística das guerras coloniais, na doca de Alcântara, no porto de Lisboa.

21-11-1970 – Destruição de material de guerra, que devia seguir para a guerra em Angola, no porto de Lisboa, junto ao navio Niassa.

21-11-1970 – Explosão na Escola Técnica da PIDE, em Sete Rios, Lisboa. Às 4h da madrugada

21-11-1970 – Explosão, no Centro Cultural Americano, em Lisboa, às 4 h da madrugada.

08-03-1971 – Destruição total ou parcial de 12 aviões e 16 helicópteros na Base Aérea Nº 3.

03-06-1971 – Sabotagem da Central de telecomunicações de Lisboa, no dia da reunião ministerial da NATO deixando o país isolado quanto a telecomunicações.

03-06-1971 – Derrube de 3 torres de alta tensão, em Sacavém, que provocaram o corte de energia eléctrica na região de Lisboa, no dia da reunião ministerial da NATO.

03-06-1971 – Derrube de 2 torres da rede eléctrica de alta tensão, em Belas, com o mesmo objetivo.

02-10-1971 – Assalto a um paiol, na zona de Loures e "confisco" de 500 kg de explosivos.

27-10-1971 – Explosão no Quartel General da NATO, em Oeiras, três dias antes da inauguração internacional.

12-01-1972 – Destruição de material de guerra, nos armazéns do cais de Alcântara, no porto de Lisboa, antes do seu embarque, no navio Muxima, para as guerras coloniais.

12-01-1972 – Sabotagem de 8 torres da rede eléctrica de alta tensão na região de Lisboa.

12-01-1972 – Sabotagem de 4 torres de alta tensão na região de Coimbra .

12-01-1972 – Sabotagem de 8 torres de alta tensão na região do Porto. Estas sabotagens provocaram o corte de energia elétrica no país, durante o dia das pseudo - eleições do Presidente da República, almirante Américo Tomaz.

A Morte saiu à rua num dia assim



José Dias Coelho, escultor, e militante clandestino do PCP, tinha 38 anos, quando foi assassinado a tiro, pela PIDE, fez hoje 50 anos, numa rua da zona do Calvário, em Lisboa e que hoje leva o seu nome.
O local fica muito próximo da Rua da Indústria, onde aluguei um quarto que foi, durante dois meses, a minha primeira residência na clandestinidade.

“Eram oito horas da noite, de 19 de Dezembro de 1961. José Dias Coelho, funcionário clandestino do PCP, seguia pela Rua dos Lusíadas. Cinco agentes da PIDE saltaram de um automóvel, perseguiram-no, cercaram-no e dispararam dois tiros. Um tiro à queima-roupa, em pleno peito, deitou-o por terra; o outro foi disparado com ele já no chão. Os assassinos meteram-no num carro e partiram a toda a velocidade. Só duas horas depois, quando estava a expirar, o entregaram no Hospital da CUF. «De todas as sementes deitadas à terra, é o sangue derramado pelos mártires que faz levantar as mais copiosas searas»: eis a legenda que José Dias Coelho dera à sua última gravura, criada um mês antes de ser assassinado, e representando o assassínio do operário Cândido Martins Capilé à frente de uma manifestação popular”.

Dias Coelho era companheiro da Margarida Tengarinha, e é o pai da Teresa e da Guida que conheci ainda umas jovenzinhas e que, sei, não desmerecem da vida exemplar desse homem bom, corajoso e herói do povo português.

2011/12/07

Honoris Causa em...Cabo Verde!





Comunicado
Movimento Cívico Não Apaguem a Memória – NAM
2011-12-07

Foi com espanto que tomámos conhecimento através da comunicação social de que “a Universidade do Mindelo, da República de Cabo Verde, outorga, este sábado, 10 de Dezembro, ao professor Adriano Moreira, o grau de Doutor Honoris Causa” Sem pôr em causa as qualidades de intelectual e de académico do professor Adriano Moreira e tendo presente a sua inserção, como político, no regime democrático, não podemos esquecer que foi Adriano Moreira, como ministro do Ultramar, do regime fascista, o responsável direto pela reabertura do campo de concentração do Tarrafal, na antiga colónia de Cabo-Verde, em 1961, através da portaria nº 18.539, por si assinada e publicada, no Diário do Governo, em 17 de Junho desse ano.

Esta homenagem de uma Universidade da República de Cabo Verde não pode deixar de ser considerada uma afronta aos patriotas de Cabo Verde, da Guiné-Bissau e de Angola que lutaram pela independência dos seus países e que sofreram inomináveis brutalidades, às ordens da PIDE, neste campo de concentração de má memória, onde já tinham sido condenados a morte lenta, tantos portugueses, antes de ter sido reaberto, naquela data, por Adriano Moreira.

A direcção do NAM

Sobre o Tarrafal uma reportagem sobre a participação do NAM no simpósio promovido pela Presidência da República de Cabo Verde, em 2009

Ou as intervenções aqui também no Memórias

2011/11/25

HOMENAGEM aos professores universitários e investigadores demitidos pela ditadura

O Movimento Cívico Não Apaguem a Memória – NAM, participa na homenagem aos docentes universitários demitidos pelo regime fascista do Estado Novo (1933-1974) e convida todos os seus associados e amigos a estarem presentes e a participarem nesta homenagem que terá lugar
 
• no dia 29 de Novembro, às 18 horas, na reitoria da Universidade de Lisboa. Intervenções do reitor da UL, António Sampaio da Nóvoa, do historiador António Ventura e de Mário Soares em representaçao da comisão promotora.  

• no dia 30 de Novembro, às 17 horas, na reitoria da Universidade Técnica de Lisboa. Intervirão a reitora da UTL Helena Nunes Pereira, o historiador José Brandão de Brito e Raimundo Narciso, em nome da comisão promotora;
• no dia 30 de Novembro, às 17 horas, na reitoria da Universidade do Porto. Intervirão o reitor da UP, José Marques dos Santos, o historiador Manuel Loff e João Pulido Valente, em representação da comisão promotora.
• no dia 19 de Dezembro, às 12 horas, na reitoria da Universidade de Coimbra. Intervirão o reitor João Gabriel Silva, o historiador Luís Reis Torgal e Fernando Rosas, em nome da comisão promotora.

A homenagem consistirá no descerramento de uma placa com os nomes de todos os docentes expulsos em cada uma daquelas universidades, na realização de uma sessão solene de homenagem com a participação dos Reitores e oradores convidados e na edição de uma brochura que contextualiza historicamente os acontecimentos e contém as biografias de todos os professores e investigadores demitidos. A comissão organizadora da homenagem é constituída pela
Fundação Pulido Valente, com a participação de João Monjardino;
Movimento Cívico Não Apaguem a Memória, com a participação de Raimundo Narciso, de Isabel do Carmo e de Jaime Mendes;
Fundação Mário Soares, com a participação de Alfredo Caldeira.
Instituto de História Contemporânea da Universidade Nova de Lisboa, com a participação de Fernando Rosas.
  
Imagem da placa que será descerrada na homenagem, nas reitorias da Universidade de Lisboa, da Universidade Técnica de Lisboa, da Universidade de Coimbra e da Universidade do Porto)
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2011/07/24

Triunfou o direito à Memória

(Imagem a partir de foto de Miguel Manso)
(José Manuel Castanheira, Margarida Fonseca Santos, Carlos Fragateiro)

“Se calhar, ainda bem que tudo isto aconteceu”, disse Margarida Fonseca Santos à saída do tribunal, explicando que esta foi “uma forma de falar aos mais novos “de uma época em que não havia liberdade”, de “mobilizar as pessoas” e de “trazer a história do país para o teatro”.

O mesmo entendimento foi manifestado por Fragateiro. Ao levantar a questão, os sobrinhos de Santos Pais acabaram por “fazer um favor à democracia”, considera.

“A crítica pública deve ser um direito e não um risco”, frisou o magistrado [juiz António Passos Leite] na sentença que foi lida, esta tarde (2011-07-22), no tribunal criminal de Lisboa.

Julgado ao longo de 14 audiências desde o passado dia 3 de Maio, o caso opôs os sobrinhos do ex-director da PIDE/DGS, Silva Pais, aos responsáveis pela peça de teatro “A Filha Rebelde” que esteve em cena no Teatro Nacional D. Maria II em 2007: a autora do argumento, Margarida Fonseca Santos e dois dos administradores do Teatro Nacional, Carlos Fragateiro e José Manuel Castanheira, acusados de difamação e ofensa à memória de Silva Pais.
A peça é a adaptação ao teatro do livro “A Filha Rebelde” (editora Temas e Debates) da autoria de José Pedro Castanheira e Valdemar Cruz. A família do ex-director da PIDE considerou que algumas das falas da peça eram ofensivas ao nome e memória de Silva Pais, nomeadamente por lhe ser atribuído o homicidio de Humberto Delgado e decidiu processar os seus responsáveis.
A notícia da absolvição foi recebida na sala de audiências com salvas de palmas, gritos de “abaixo a PIDE” e cravos vermelhos distribuídos aos presentes.
O juiz sublinhou o “direito à manifestação artística” e “à história” e referiu-se à doutrina sobre os direitos do Homem sublinhando a importância da liberdade de expressão como “uma das condições das sociedades democráticas”.
” que marcou a “reconciliação com a memória” do seu avô,
...
A peça de teatro, “A Filha Rebelde" conta a história da filha de Silva Pais, Annie Silva Pais, casada com um diplomata suíço com quem foi viver para Havana, Cuba, no início da Revolução. Apaixonada por Che Guevara, Annie acabou por deixar o marido e aderir à causa cubana.

O Ministério Público decidiu não acompanhar a acusação atendendo a que não se tratava de um crime público e na fase das alegações finais do julgamento, o procurador Abel Matos Rosa pediu a absolvição dos arguidos, tal como os advogados de defesa, Lucas Serra e Victor Ferreira.

Obrigado a todos os que, neste processo defenderam o direito à memória, à verdade histórica, à liberdade e ajudaram a enterrar o espectro da Pide que parece estar mal enterrada.

Link, link

2011/07/13

"Já uma estrela se levanta"

Abri, desprevenido a televisão. Um susto. Sacralizados, uivando, em alcateia, sobre mim... "os Mercados". Antes que chegassem os analistas, os padres da nova religião, fiz zaping para o livro da Helena Pato para confirmar se "Já uma estrela se levanta".
As estrelas não se levantam assim sem mais nem menos por isso fui lendo, lendo, lendo até ao fim. Porque o livro não é grande. Porque está muito bem escrito.
Uma escrita, límpida, ora fraterna ora combativa, ora ternura ora paixão, mas sempre exemplar na entrega à causa do bem geral a revelar-nos como essa é, afinal, a causa mais útil a nós próprios, quando nós próprios somos... como a Lena é.

A Lena leva-nos pela mão, numa linguagem cativante, ao Portugal que ela viveu, que nós, os da sua geração, vivemos, o Portugal “pré-histórico” do homem de Santa Comba Dão (salvo seja, como se dizia na minha aldeia, salvo seja toda a boa gente lá da terra). Leva-nos pelas largas avenidas da solidariedade e engrandece-nos. Mostra-nos as vielas sombrias da exploração e dos crimes da ditadura de Salazar e acorda em nós a revolta que nos ajude a vencer os monstros do mundo actual.
O livro da Lena revela o que há de bom, de forte e pletórico em cada um de nós e de como a conjugação de vontades liberta a força capaz de levar à vitória, em cada dia, à nossa volta ou mais além, a liberdade e a justiça, vencendo os que, escondidos atrás da cortina de ferro dos “mercados” vêm em cada homem uma mercadoria para o seu insaciável enriquecimento e poder.
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O livro já está à venda na livraria O Círculo das Letras e talvez já por aí. Dele fala aqui a Ana Paula Fitas numa escrita belíssima. E, é claro, é referido aqui

2011/05/18

Vamos Falar da nossa Juventude. As lutas académicas pela liberdade dos anos 50 e 60 e as de agora

A Helena Pato, membro da direção do MovimentoNão Apaguem a Memória - NAM teve a ideia e se bem a pensou logo a pôs em prática, em diálogo com o André Freire, professor do ISCTE, agora Instituto Superior de Lisboa, uma universidade com a personalidade jurídica de fundação. Descobriram o contexto e o momento: as Jornadas de Ciência Política do ISCTE - IUL. Reservaram então o 1º dia das Jornadas para o levantamento da Memória das grandiosas lutas pela liberdade dos anos 50 e 60, nos meios académicos.
Eles, eles os protagonistas, não todos mas ainda muitos deles estão aí e responderam pela afirmativa ao convite da Lena. Vão amanhã contar-nos como viveram os acontecimentos, o seu significado político e a garra, a determinação na luta, os sentimentos, as emoções, os medos e quem sabe... se contarão até os namoros, as paixões e os casamentos que o entusiasmo, as emoções, os arrebatamentos das lutas juvenis propiciavam. Eis o programa e o momento para conhecer e questionar. Para inspirar as lutas de hoje.

Jornadas de Ciência Política
ISCTE-IUL  Auditório B103 Edifício II
19 Maio de 2011
09:30 Sessão de aberturaISCTE-IUL: Luís Reto (Reitor), André Freire, José Manuel Leite Viegas, Fábio Ramalho
NAM: Raimundo Narciso
10:00
década de 50
MUD Juvenil e a repressão fascista
Carlos Veiga Pereira, Luísa Irene Dias Amado, José
Tengarrinha, Mário Ruivo
Moderador André Freire
Decreto-Lei 40900 : A Supressão da Liberdade Associativa EstudantilCarlos Portas, Herberto Goulart, Júlio Pequito, Prostes da FonsecaModerador Raimundo Narciso11:30 Coffee break
11:45 Debate aberto à assistência
Moderador Helena Pato
14:30 década de 60
Crise Académica de 62
Fernando Vicente, Isabel do Carmo, Medeiros FerreiraModerador Helena PatoDebate aberto à assistênciaCrise Académica de 69Domingos Lopes, José Barata, Manuela CruzeiroModerador Jaime MendesDebate aberto à assistência16:30 Coffee break16:45 Actualidade Os Movimentos Estudantis na ActualidadeNACP Bárbara Borrego e Joana MorgadoModerador Inês Trindade
Debate aberto à assistência com a participação especial deRicardo Bernardes Presidente da ESPECAlexandre de Sousa Carvalho Organizador da Manifestação Geração à rasca/M12M

2011/05/02

Querem branquear a PIDE

A direcção do Movimento Cívico Não Apaguem a Memória (NAM) acaba de emitir o seguinte comunicado:

À Comunicação Social


A direcção do Movimento Cívico Não Apaguem a Memória manifesta a sua profunda indignação perante o julgamento de Margarida Fonseca Santos, Carlos Fragateiro e José Manuel Castanheira. Não está apenas em causa a liberdade de expressão destes prestigiados intelectuais (e o precedente que este caso pode configurar), mas também o desrespeito pela memória de todos aqueles que, durante o fascismo, combateram por um regime democrático.

Na manhã de 3 de Maio de 2011, acusados por familiares do último director da PIDE/ DGS, vão estar, na barra do tribunal, cidadãos que se propõem preservar a memória da ditadura, e não Silva Pais, um dos maiores responsáveis pelo regime de terror em que se viveu até 1974. As atrocidades infligidas aos opositores, por inspectores e agentes sob a alçada de Silva Pais, enchem milhões de páginas no Arquivo da Torre do Tombo, jamais foram objecto de confrontação por parte desses seus autores, mas não são esquecidas pelas vítimas.

Há poucos dias, foi inaugurada uma exposição na antiga Cadeia do Aljube, em Lisboa: «A Voz das Vítimas». Impressiona pela dimensão que transmite dos crimes cometidos pela polícia política, ao longo de 48 anos. E vem lembrar-nos, de novo, que os autores desses crimes nunca foram julgados. Os obreiros da Democracia, nascida em Abril, não abdicaram de uma atitude de tolerância que se tem revelado enormemente injusta para com os milhares de portugueses que sofreram, até à morte, as consequências de torturas, de prisões, de perseguições, ou o exílio. Foram décadas vividas sob o terror da PIDE /DGS, com o comando de Silva Pais, seu Director.

O Movimento Cívico Não Apaguem a Memória saúda os acusados neste processo, por se juntarem àqueles que deixam, para as gerações futuras, um legado de memórias desse tenebroso tempo de opressão. Estaremos, sempre, ao lado dos que impedem o branqueamento, quer de um regime que destruiu vidas e famílias, quer dos seus responsáveis máximos. E Silva Pais é um nome que não se apaga da nossa memória.

Em 2 de Maio de 2011

A Direcção do Movimento Cívico Não Apaguem a Memória

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O julgamento ocorrerá às 9h 15m de 3 de Maio de 2011 no 2º Juizo Criminal, 3ª Secção, Av D. João II, n.º
10801 - Edifício B. Parque das Nações. Metro: Gare do Oriente.

2011/04/15

ALJUBE - 46 anos depois de fechar


Jaime Gama, presidente da AR, Mário Soares, em representação da FMS, António Costa, presidente da CML, Fernando Rosas do Instituto de História Contemporânea da UNL e Raimundo Narciso do Movimento Cívico Não Apaguem a Memória (NAM) usaram da palavra, perante cerca de duzentos pessoas entre elas deputados e outras altas indidualidades do Estado ou da sociedade civil, como Vasco Lourenço em representação da A25A ou Corregedor da Fonseca pela URAP. Seguiu-se uma visita guiada à exposição.
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Extratos da intervenção do presidente da direcção do Movimento Cívico Não Apaguem a Memória (NAM):
Em nome do Movimento Cívico Não Apaguem a Memória quero agradecer a vossa presença e sublinhar quão ela revela a importância simbólica atribuída a esta exposição que exalta os valores da liberdade e da democracia e presta homenagem àqueles portugueses que, sem esperarem benefícios empenharam liberdade e por vezes a vida, na luta por elas.
...
Outro momento importante da curta vida do nosso Movimento é este, ao inaugurarmos uma exposição que presta homenagem aos muitos milhares de portugueses que,   ao longo da ditadura do Estado Novo,  tiveram de pagar um alto preço pela determinação e coragem   de lutar pela liberdade e por um Portugal melhor para todos os Portugueses. Essa luta pertinaz,   durante tantos anos, ajudou a abrir caminho para o levantamento militar dos gloriosos capitães de Abril, em 1974, aqui representados pela Associação 25 de Abril e o seu presidente coronel Vasco Lourenço.  A Liberdade e a democracia são conquistas consolidadas, mas uma sociedade mais igualitária e mais justa continua a ser um objectivo bem na ordem do dia.
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A intervenção completa do NAM encontra-se aqui e é referida no site da CML onde há mais fotografias e informação. Ver também o site da exposição ou o do NAM onde te podes inscrever como associado ou apoiante.
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Imagens da inauguração e da exposição:











2011/04/14

A Voz das Vítimas

É o nome da exposição que se inaugura hoje, às 18 h, na antiga prisão política do Aljube (ao lado da Sé de Lisboa). Entrada livre. Mais informações aqui  aqui, ou aqui.
A seguir um texto de RN sobre o Movimento Não Apaguem a Memória no catálogo da exposição: 220 páginas de fotografias, nomeadamente dos curros, do parlatório, fichas de presos e documentos do arquivo da PIDE, relatos de fugas e de... casamentos de presos,  na prisão. À venda na exposição que tem entrada livre:
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A exposição A Voz das Vítimas é um caso exemplar de evocação da memória da luta pela liberdade levada a cabo por muitos portugueses, de todas as condições e de diferentes credos políticos e religiosos, contra a ditadura do Estado Novo que vigorou de 1926 a 1974.
A ditadura, longa de várias gerações, tentou apagar da vida dos Portugueses e em parte conseguiu, a herança e a Memória das conquistas progressistas da Revolução Republicana iniciada em 5 de Outubro de 1910, conquistas vanguardistas na Europa de então. Tentou e em parte conseguiu apagar da memória colectiva a luta multifacetada, pelas formas assumidas e pelas ideologias presentes, que ao longo de toda a sua existência contra ela se ergueu.
.... Continua aqui: link

2011/03/03

Fernando Vicente torturado pela PIDE

Fernando Vicente é Engenheiro Civil, reformado, casado com a Bárbara, pai de duas filhas e avô. E foi dirigente do PCP muitos anos. Ainda fomos colegas no Instituto Superior Técnico mas pouco tempo depois de se formar, em 1972, foi preso pela PIDE, acusado de ser membro do PCP, então ilegal. Para que denunciasse os seus companheiros e a sua actividade foi submetido a torturas inomináveis. Não prestou declarações. Para o demover, a PIDE submeteu-o a torturas até ao limite da resistência humana, até à beira da morte. Até ao inacreditável. Fernando Vicente nunca supôs que pudesse suportar tanta tortura, que incluiu a estátua, durante tantos dias e noites sem o deixarem dormir. É necessário ouvi-lo e vê-lo, no video, para se ter uma ideia, mesmo remota, do que eram as torturas da polícia política de Salazar e Caetano, no Portugal que viveu 48 anos, sem interrupção, de ditadura fascista.
O vídeo que se segue foi retirado da SIC online, que disponibiliza o código para cópia, do programa Histórias com gente dentro, emitido no dia 1 de Março de 2011, às 21:40 h.
A parte do video relativa ao Fernando Vicente está entre os 20 e os 25 minutos. Como seria necessário autorização para extrair e republicar a parte que me interessava (no Youtube, p.ex.) coloquei aqui todo o programa, com cerca de 30 minutos. Mas quem queira ver apenas a entrevista do FV pode dar início ao vídeo e em seguida com o rato pode arrastar o cursor que aparece na parte de baixo do vídeo para o minuto 20.
O video também está disponível do site do NAM - Movimento Cívico Não Apaguem a Memória.
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2011/02/07

Homenagem a Nuno Teotónio Pereira

No passado Sábado, dia 5 de Fevereiro de 2011, mais de três centenas de amigos prestaram uma emocionada homenagem a Nuno Teotónio Pereira. Figura emblemática do movimento "Católicos Progressistas", exemplo de indefectivel combatente pela liberdade contra a ditadura do Estado Novo, cidadão de exemplar modéstia e atenção para com o seu semelhante, Nuno Teotónio Pereira, foi nesta homenagem evocado, também, como distinto arquitecto da cidade de Lisboa.
O Movimento Cívico Não Apaguem a  Memória , de que o homenageado é sócio fundador e sócio honorário, fez-se representar por uma delegação dos seus órgãos sociais composta por Eurico Reis, José Hipólito dos Santos, Lúcia Esaguy Simões, Helena Pato, Artur Pinto, Crisóstomo Teixeira, Irene Pimentel e o autor deste post.

“… Uma imensa plateia de mais de trezentas pessoas, não só de católicos e ex-católicos activistas desde os anos 60, mas também de muitos outros compagnons de route que, ao longo de mais de cinco décadas, se habituaram a ver na pessoa do Nuno o grande impulsionador de um sem número de actividades, políticas e cívicas, e que aderiram a uma iniciativa anunciada através da internet, sem envolvimento de organizações (juntaram-se depois e estiveram ontem presentes) e organizada por um pequeníssimo grupo de amigos.

"Ao lançarmos a sessão, - diz Joana Lopes - utilizámos a palavra «homenagem» na convocatória e o Nuno não gostou: telefonou-me três dias antes, desagradado por só então se ter apercebido de que seria o centro das atenções. Disse-lhe então o que ontem repeti: que estávamos ali para nos «homenagearmos» também, num reencontro para celebrarmos um passado de que nos orgulhamos e que, de uma maneira ou de outra, ele nos ajudou a construir. E que a nossa presença naquela sala era a prova daquilo que, certamente, ele mais gostaria de ouvir: que ainda não baixámos os braços.

"O Nuno encerrou a sessão, com a limpidez e a frontalidade habituais, quase lendárias:

«Estou velho, estou a chegar aos 90 anos. Há órgãos que me estão a falhar. Um deles é a memória, que se está a desfazer como pó, o que me causa um certo sofrimento. Além da perda da visão. Mas estou muito contente, porque esta sessão, tendo sido anunciada como de homenagem à minha pessoa, e não deixando de o ser, fez também justiça a todos aqueles que conhecemos e lutaram naqueles anos difíceis.»


Da notícia do Expresso online:

“O cidadão[ Nuno Teotónio Pereira] não quis apenas evocar o passado:

"Apelo a todos para que, em conjunto ou individualmente, façam o que for necessário, mesmo com risco, para acabar com situações de clamorosa desumanidade que existem no nosso país, muitas vezes mesmo ao nosso lado".


Jorge Sampaio: "A modéstia dos que são verdadeiramente grandes"

Nuno Teotónio Pereira, Jorge Sampaio, João Cravinho

"O ex-Presidente da República Jorge Sampaio foi o principal orador. Dirigindo-se ao "cidadão", destacou entre as suas muitas qualidades a "modéstia dos que são verdadeiramente grandes". Falando de improviso mas a partir de notas que preparara, Sampaio sublinhou ainda "a independência do seu percurso", a ponto de considerar que Nuno Teotónio Pereira "não é apropriável por ninguém".

"O ex-presidente da Câmara de Lisboa agradeceu ao arquiteto o quanto lhe ensinou sobre a capital. Da sua vasta obra, que inclui três prémios Valmor, Sampaio destacou a igreja de Almada, o bairro de Olivais Norte e o edifício "Franjinhas" na Rua Braancamp - além, claro está, da igreja que serviu de cenário à homenagem e a que se juntaram numerosos católicos, entre os quais os padres Bento Domingues e Jardim Gonçalves.

"No plano político, Sampaio não pôde deixar de evocar o dia 26 de Abril de 1974, quando Nuno Teotónio Pereira foi um dos numerosos presos políticos que foram finalmente libertados da prisão de Caxias. "O Nuno permaneceu sempre a mesma pessoa através de décadas, nos mesmos valores, nos mesmos princípios", afirmou Jorge Sampaio, chamando a atenção para a sua "constância e intemporalidade".
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Nota: Dificuldades técnicas atrasaram dois dias a publicação deste post.

2010/11/28

JCP - 30 anos


João (Carvalho) Pina, artista da fotografia, repórter internacional, de momento a viver em Paris, foi surpreendido por uma partida do tempo que corre. Fez 30 anos. Numa emergência assim, não hesitou. Para grandes males grandes remédios. Correu a Lisboa, e reuniu os amigos, em conselho, no LEFT, ali a Santos. Apanhados desprevenidos, sem saberem ao certo que remédio ou estratégia aconselhar, para os 15 anos que ainda lhe restam de juventude, levantaram alto as flutes de champanhe e cantaram os parabéns antes de as despejarem.

Os convivas de primeira geração, findo o dia e alta a noite, foram paulatinamente retirando, abrindo espaço à juventude, mas não sem lhe recomendar todas as cautelas que a profissão exige, especialmente no Afeganistão, em teatro de guerra, por onde tem andado.

Casamento em estado de sítio: 27 de Novembro de 1975

27 de Novembro de 1975, era o dia há muito marcado para o meu casamento. Mais precisamente para a oficialização do meu casamento com a Maria Machado, com registo fixado para as 11 horas, na Conservatória da Avenida Guerra Junqueiro. Na realidade já estávamos "casados" de facto que não de registo em conservatória, desde 1968, na clandestinidade.

O caso não mereceria mais reparo que não o próprio a tal circunstância não fora estarmos apenas dois dias após o confronto militar de 25 de Novembro, que tolheu o passo à revolução, iniciada em 1974 e que ainda mantinha muito incerto o futuro do país e também o futuro e a segurança do PCP e dos seus dirigentes.

Eu estava em local secreto - numa casa da Rua Óscar Monteiro Torres - numa reunião do "comité militar" com Álvaro Cunhal, Jaime Serra e Ângelo Veloso.

No restaurante Ginjal, em Cacilhas. 27 Nov 1975, a olhar para Lisboa, há 2 dias em estado de sítio. 

Estava já combinado que me ausentaria, por pouco tempo, para o programado registo. Numa corrida à conservatória, por acaso, apenas a uns 500 metros de distância, casámo-nos, registámos o filho, com um ano e meio de idade e "legitimámos" a filha com cinco anos. Num ai-Jesus, voltei à reunião, deixando a meio um sermão da conservadora, que condenava a minha pressa e o "pouco respeito por acto tão sagrado para uma família. Que tempos estes!". 

Eis, pois, um casamento em estado de sítio.

Talvez por isso mesmo e sabendo que o registo estava marcado há muito e que eu não teria tais dotes de premonição que tivesse adivinhado um golpe militar em 25 de Novembro, Cunhal observou com um sorriso: gabo-te a pachorra teres decidido casar numa situação destas!
Os choques político-militares entre as forças que favoreciam as transformações revolucionárias e as que lhes queriam pôr fim culminaram com os confrontos na madrugada de 25 de Novembro de 1975 que deram a vitória a estas últimas. Durante esse dia o Presidente da República declarou o estado de sítio e o PCP viveu o dia sob a ameaça de um grande perigo. As forças vitoriosas iam do PS à extrema direita e não era certo em que mãos acabaria o poder. Receava-se que o PCP pudesse ser ilegalizado, ou que algum grupo terrorista de extrema direita, desses que organizaram atentados e incendiaram sedes do PCP, da CGTP e de outros partidos de esquerda desencadeassem acções terroristas contra as sedes ou os dirigentes do partido.

A direcção do PCP tomou medidas para resguardar, numa clandestinidade provisória, utilizando casas de recuo e reuniões fora das sedes, os seus principais dirigentes que continuavam, no entanto, em redobrada actividade.

Foi assim que na sede do Comité Central, na Av António de Serpa, ao Campo pequeno, em Lisboa, por essas 8 horas da noite de 25 de Novembro apenas estavam além dos "serviços mínimos" dois membros do comité central, Georgette Ferreira e o autor desta memória. Dela ainda ouvi: "ai miguinho" não me posso demorar". Tenho reuniões com o sector operário da cintura oriental de Lisboa. Também não me demorei em sair. O meu trabalho era precisamente entre os oficiais das Forças Armadas. Segui para uma ronda por unidades militares de Lisboa que incluiu o Depósito Geral de Material de Guerra em Beirolas e o Ralis, em cuja parada me cruzei com civis fardados de camuflado, ex-militares mobilizados de emergência e sem despacho do Estado Maior que o momento não era para tal e onde se realizou um plenário de militares da unidade, ao qual assisti, entre outros civis, de variegadas sensibilidades de esquerda.

Foi neste ambiente de pré-guerra civil que, em paz, me casei. Salvo aquela reunião que tive de interromper para ir à Conservatória do Registo Civil tudo sucedeu dentro da mais regular normalidade.

A cerimónia a que a conservadora emprestou a devida solenidade, teve alguns momentos incomuns. Quando a Senhora me perguntou pela profissão declinei "funcionário de partido político". Objectou que isso não era profissão. Garanti-lhe que que fazia parte das novas profissões surgidas com a revolução. Contrariada teve de aceitar porque lhe não dei outra.

A seguir ao casamento fez-se o já acima referidos registo do filho e a "legitimação" da filha. Legitimação? Na clandestinidade conseguimos, no meio de peripécias várias (descritas aqui) registar o bebé no nosso nome verdadeiro apenas com o meu bilhete de identidade verdadeiro mas já caducado que obviamente não usava na clandestinidade, porque a Maria só possuía documentos falsos, com nomes falsos, tudo falso! No entanto, por não estarmos casados, a filha só pôde ser registada, durante a ditadura, como filha ilegítima. Era o máximo que Salazar e a Igreja do cardeal Cerejeira permitiam. Resignámo-nos na esperança de que um dia a legitimaríamos.
Agora, dois dias após do golpe do 25 de Novembro de 1975, neste importante momento das nossas vidas, tivemos o amparo dos padrinhos, o Ernâni Pinto Bastos e a Maria do Céu Monteiro. Finda a reunião do comité militar a que rapidamente voltara, "noivos" e padrinhos fomos a Cacilhas, ao restaurante do Ginjal, almoçar e observar, da outra margem, Lisboa em estado de sítio".

2010/10/29

Debbie Harry? "Eh pá ela é linda, linda de morrer" dizia-me ele, aí pelos anos 70 ou 80


......                                                       .....                                                              .....

Debbie Deborah Ann "Debbie" Harry (Miami, 1 de julho de 1945) é uma cantora e compositora de punk rock/new wave dos Estados Unidos da América. Tornou-se famosa quando vocalista e líder com Chris Stein da banda de new wave Blondie. Deborah fez posteriormente carreira a solo como cantora, e também como atriz, em mais de 30 filmes.
Li por aí algures que Madona, afirmava que Debbie tinha sido o seu ídolo e fonte de inspiração .

"Linda, loira e polémica, a cantora Debbie Harry era considerada, nos anos 70 e 80, a mais cool, sexy, hype, jet-setter, style, up-to-date e todos estes adjetivos em inglês usados para designar gente sensual, moderna e antenada. A mulher que todas as outras queriam imitar, e que todos os homens queriam ter." Conversa da Globo e com aquele "antenada" brrrr.  [Aqui]

As  imagens podem ser tomadas como um exercício de crueldade mas representam apenas o retrato do caminho que não conseguimos evitar.
(Isto foi escrito em 2010. Estava aqui no blog, subterrâneo, em forma de rascunho, esquecido ou sem "pinta" para merecer publicação

2010/10/26

Hoje,a esta hora, há 40 anos

Contra a ditadura fascista,  contra a guerra colonial, pela democracia, pela liberdade, lutávamos então.
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Hoje, a esta hora, neste momento, há quarenta anos, entrei para o carro do António Pedro Ferreira e... os dados estavam lançados. Agora ou tudo corria bem ou ...  Toda a planificação do Comando Central, Jaime Serra, Chico Miguel e este, que vos conta isto... todo o meticuloso trabalho de preparação, técnico e de organização tinha sido adequado e perfeito ou... Estarão todos nos locais marcados para o encontro à hora certa? Sem falha, sem medo (medo não faz mal desde que controlado)? O António Pedro Ferreira estava, já estou no carro dele, e o António João Eusébio, e o Manuel Policarpo Guerreiro e o Carlos Coutinho e o Gabriel Pedro? Estes dois  que constituem o comando e vão com duas poderosíssimas minas sabotar o mais moderno transporte de mercadorias para as guerras coloniais, o navio Cunene. Estarão todos? Ninguém arranjará uma desculpa para faltar? Não. Ninguém falhou. Estavam todos. À hora certa,  no seu local combinado. Cada um no seu sítio e um a um, a cada um distribuí a  sua tarefa. Gabriel Pedro, com 70 anos, sim com SETENTA  anos, estava ali como o mais jovem de nós e ele tinha a tarefa mais delicada pois tinha de roubar o barquito a remos, ali nas barbas dos guardas fiscais, para ir com o Carlos Coutinho e as cargas explosivas, já engravidadas para explodir às 5h da madrugada, cinco quilómetros a remar, Tejo abaixo desde Cabo Ruivo até à Rocha de Conde de Óbidos.
Estavam todos à hora certa no sítio certo. Ninguém faltou. Nem o barquinho a remos nem o grande navio Cunene e às 5h, sem vítimas, o cais e Lisboa,  ali à volta, acordaram.
Ia eu com medo, assustado, a pensar no perigo? Nem eu nem nenhum de nós tinha vagar ou disposição para isso. Só o objectivo, a missão a cumprir nos absorvia, totalmente, com o seu irresistível apelo.
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Mais? No site sobre o livro da ARA e em particular nos extratos do livro.

2010/06/29

Evocada a memória de 1500 espanhóis fuzilados por Franco no cemitério de Almudena em Madrid

"20 artistas y 20 familiares de víctimas han leído esta mañana en el cementerio madrileño de La Almudena, frente a la tapia donde fueron fusilados, los nombres de 1.500 asesinados durante el franquismo. Durante más de una hora y media recordaron en voz alta a quienes murieron "por defender la legalidad", según ha señalado el actor Alberto San Juan. "No hemos venido a llorar sobre su recuerdo", quiso aclarar Marcos Ana, el preso que más tiempo pasó en las cárceles franquistas, 23 años, "sino para demostrar nuestro compromiso con los ideales que les quitaron la vida". [ Mais em El País]



"Na longa lista de vítimas evocadas em voz alta, uma a uma, havia muitas com o mesmo apelido que davam conta do extermínio que o regime de Franco levou a cabo família a família. Irmãos, pais, e filhos foram fuzilados contra o muro do cemitério de Almudena (Madrid) no qual ainda se podem observar o impacto das balas e que esta manhã (20/06/2010) se encheu de cravos vermelhos."

Ver também aqui Contra La Impunidad ou aqui
Sites Não Apaguem a Memória ; Memoria Historica

2010/05/31

Teixeira Gomes - que a ditadura quis apagar da memória dos Portugueses

O João Maria Freitas Branco faz o favor de ser meu amigo e eu sou amigo dele. Não dessas "amizades" de Facebook, busca inglória de promoção pífia. Mas porque somos amigos? Por um conjunto de pequenas razões coladas ao longo do tempo que juntas  formam uma razão grande. E será certamente por isso que ele é meu amigo. Mas se sou amigo dele por essas muitas pequenas razões sou-o também por uma outra Razão Grande. É que o João é um filósofo (como ele, amigo da verdade, se auto-intitula) mas um filósofo da racional Razão.  Por isso o seu blog, a não perder de vista, não podia ter outro nome: RAZÃO

Vem tudo isto a propósito do seu último post sobre Teixeira Gomes que ninguém conhece porque a retrógrada parceria Salazar - Cerejeira tentou e quase conseguiu apagá-lo da memória dos Portugueses.
Diz o João Maria: "Nenhum português que se preze de ser homem ou mulher de cultura pode permitir-se ignorar a esplêndida prosa literária do Teixeira Gomes. Portanto, saúdo aqui o competente e abnegado esforço do Vítor Wladimiro Ferreira, do Urbano Tavares Rodrigues e da Helena Carvalhão Buescu, esperando que o projecto editorial se conclua com sucesso.

Aqui fica a referência bibliográfica para que os leitores/seguidores deste blog possam encontrar-se com Teixeira Gomes:

TEIXEIRA-GOMES, Manuel: Obras Completas, anotadas por Urbano Tavares Rodrigues, Helena Carvalhão Buescu e Vítor Wladimiro Ferreira, prefaciadas por Urbano Tavares Rodrigues, Volumes I e II, Imprensa Nacional-Casa da Moeda, Câmara Municipal de Portimão, Lisboa, 2009.

Urbano Tavares Rodrigues:
«Um dos produtos mais acabados e originais,
sem par ao nível do estilo, da literatura portuguesa de sempre.»
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Sobre Teixeira Gomes - 7º presidente da 1ª República, de 1923 a 25, ver aqui na Wikipédia.

2010/05/09

A Mulher na Espanha Franquista



Um clic na imagem abre-lhe o "livro" que revela o lugar que o franquismo e a Igreja católica reservavam à mulher, em Espanha. Foi apenas há meio século atrás. Nada de muito diferente das concepções mais reaccionárias do actual Islão.
(Para folhear o livro, depois do 1º clic na imagem, um clic com o rato nas setas da esquerda ou da direita a meia altura da página).

Mais completo aqui ou aqui

2010/04/27

Para Memória Futura


Sinalizar a sede da PIDE


De acordo com o programa da inauguração da placa de sinalização da PIDE/DGS na Rua António Maria Cardoso em Lisboa, realizou-se um cortejo que partiu dos paços do concelho da CML onde usaram da palavra a vereadora da Cultura Drª Cartarina Vaz Pinto e pela Associação Movimento Cívico Não Apaguem a Memória! - NAM o Professor Jorge Martins, membro da direcçaõ do NAM, que ao longo do mini-roteiro o animou e ofereceu de modo impressivo uma informação histórica da ditadura e do dia 25 de Abril de 1974 relacionada com os locais do percurso.

Após o descerramento da Placa, usaram da palavra Raimundo Narciso pelo NAM, José Manuel Tengarrinha, Edmundo Pedro e Helena Pato na qualidade de ex-presos políticos e lutadores anti-fascistas e o Presidente da CML Dr. António Costa.

O mini-roteiro e o acto final tiveram uma significativa participação de umas 150 a 200 pessoas