Fernando Vicente é Engenheiro Civil, reformado, casado com a Bárbara, pai de duas filhas e avô. E foi dirigente do PCP muitos anos. Ainda fomos colegas no Instituto Superior Técnico mas pouco tempo depois de se formar, em 1972, foi preso pela PIDE, acusado de ser membro do PCP, então ilegal. Para que denunciasse os seus companheiros e a sua actividade foi submetido a torturas inomináveis. Não prestou declarações. Para o demover, a PIDE submeteu-o a torturas até ao limite da resistência humana, até à beira da morte. Até ao inacreditável. Fernando Vicente nunca supôs que pudesse suportar tanta tortura, que incluiu a estátua, durante tantos dias e noites sem o deixarem dormir. É necessário ouvi-lo e vê-lo, no video, para se ter uma ideia, mesmo remota, do que eram as torturas da polícia política de Salazar e Caetano, no Portugal que viveu 48 anos, sem interrupção, de ditadura fascista.
O vídeo que se segue foi retirado da SIC online, que disponibiliza o código para cópia, do programa Histórias com gente dentro, emitido no dia 1 de Março de 2011, às 21:40 h.
A parte do video relativa ao Fernando Vicente está entre os 20 e os 25 minutos. Como seria necessário autorização para extrair e republicar a parte que me interessava (no Youtube, p.ex.) coloquei aqui todo o programa, com cerca de 30 minutos. Mas quem queira ver apenas a entrevista do FV pode dar início ao vídeo e em seguida com o rato pode arrastar o cursor que aparece na parte de baixo do vídeo para o minuto 20.
O video também está disponível do site do NAM - Movimento Cívico Não Apaguem a Memória.
De acordo com o programa da inauguração da placa de sinalização da PIDE/DGS na Rua António Maria Cardoso em Lisboa, realizou-se um cortejo que partiu dos paços do concelho da CML onde usaram da palavra a vereadora da Cultura Drª Cartarina Vaz Pinto e pela Associação Movimento Cívico Não Apaguem a Memória! - NAM o Professor Jorge Martins, membro da direcçaõ do NAM, que ao longo do mini-roteiro o animou e ofereceu de modo impressivo uma informação histórica da ditadura e do dia 25 de Abril de 1974 relacionada com os locais do percurso.
Após o descerramento da Placa, usaram da palavra Raimundo Narciso pelo NAM, José Manuel Tengarrinha, Edmundo Pedro e Helena Pato na qualidade de ex-presos políticos e lutadores anti-fascistas e o Presidente da CML Dr. António Costa.
O mini-roteiro e o acto final tiveram uma significativa participação de umas 150 a 200 pessoas
Um dos principais objectivos do Movimento Cívico Não Apaguem a Memória! - NAM é um memorial na Rua António Maria Cardoso junto do edifício que foi sede da PIDE/DGS.
Por desprezo dos poderes públicos pela Memória da luta pela liberdade a sede da polícia política um símbolo dos crimes do regime fascista e da luta heróica de tantos portugueses não foi preservado e foi vendido para um condomínio de luxo.
Estão em marcha diligências nomeadamente através da CML, com quem o NAM assinou um protocolo em 25 de Abril de 2009, para a criação de um memorial no local.
No dia 25 de Abril de 1974, quando a liberdade já saia à rua e a ditadura caía sem uma vítima muitos populares reuniram-se em frente da sede da PIDE exigindo pacificamente a sua extinção. Os agentes da PIDE, do interior do edifício, metralharam os manifestantes: feriram 45 pessoas e assassinaram 4.
Na fachada do edifício foi colocada em 1980 uma lápide com os nomes das vítimas deste crime impune. A lápide foi retirada para a construção do denominado "Paço do Duque". Mas como não regressava iniciaram-se os protestos. E está em marcha um grande movimento de repulsa pelo apagamento da Memória dos crimes da Pide e dos que contra ela lutaram e sofreram.[Ver aqui], [aqui], ou [aqui] entre muitos outros blogs além do movimento no Facebook em torno desta causa. (Um clique nas imagens ampliam-nas)
O protesto recente iniciou-se com uma carta da Direcção do NAM no início de Dezembro de 2009 ao dono da obra exigindo a reposição da placa. Foi reposta mas “escondida” noutro local como se pode observar pela imagem seguinte. A Placa estava no local assinalado com o quadrado a preto e foi colocada a um metro do chão mais abaixo junto à cabine amarela como a seta indica.
O muro, com uns 50 m, em frente do cinema S. Luís, onde se pretende o memorial.
Em virtude do total alheamento dos poderes públicos, na preservação da Memória de um dos locais mais emblemáticos e sinistros da repressão da ditadura fascista, a sede da PIDE/DGS, na Rua António Maria Cardoso, ao Chiado, em Lisboa, foi vendido e transformado num condomínio privado de luxo. A promoção comercial dos apartamentos no site do Paço do Duque evoca o passado longínquo de palácio da nobreza, local de festas de duques e princesas. Mas os futuros habitantes do condomínio arriscam-se a conviver menos com o tilintar dos cristais e o roçagar das sedas de duquesas e viscondessas do século XVII e mais com os gritos de horror dos portugueses torturados pelo regime de Salazar e Caetano no século XX .
Desde a sua criação, em 5 de Outubro de 2005, que o Movimento Não Apaguem a Memória - NAM procura que seja preservada tanto quanto possível a memória do local. Chegou-se a negociar com o dono da obra e a intermediação da Câmara Municipal de Lisboa, a instalação de um núcleo museológico dentro do edifício com o aproveitamento do espaço de uma antiga cisterna e uma sala contígua com saída para a Rua Víctor Cordon. O projecto caiu num impasse a partir do momento em que o vereador indicado pelo presidente da CML Carmona Rodrigues, para acompanhar o processo, Ruben de Carvalho, comunicou ao NAM que os serviços da Câmara consideravam não ter o local condições de segurança para acesso do público, nomeadamente intervenção dos bombeiros.
De pé continua o projecto da criação no local de um MEMORIAL, eventualmente no longo muro de um palácio situado em frente do cinema S. Luís ao lado da antiga sede.
Além disso o edifício tinha junto a uma das entradas uma placa evocativa dos 4 jovens assassinados pela PIDE no dia 25 de Abril de 1974 quando um ajuntamento popular espontâneo se manifestava nas proximidades da sua sede contra a odiada polícia política.
Na sequência desta diligência a placa foi recolocada na fachada do edifício mas em local tão baixo que fica escondida pelos automóveis ali estacionados. (No canto inferior direito da fotografia ).
O NAM irá exigir que a placa seja colocada onde estava. Aguarda-se o desenvolvimento desta situação.