2005/06/30
A Acção da Base Aérea de Tancos (1)
2005/06/15
Como conheci Álvaro Cunhal
No fim do pequeno almoço Cunhal tratou assuntos importantes em breves palavras, dirigidas ao Manuel, relativamente às quais dei mostras de não estar a ouvir e disse, depois para nós dois, que não nos podia acompanhar no programa que os camaradas soviéticos já tinham preparado mas que voltaríamos a ver-nos antes de eu seguir para Cuba. Na realidade três dias depois, após a chegada de Rogério de Carvalho, Cunhal reapareceu para discutirmos sobre a organização que connosco estava a dar os primeiros passos.
O Secretário-Geral estava como na fotografia em que aparece com Humberto Delgado na altura em que o namoro político com o PCP levou o «General sem Medo» à Frente Patriótica de Libertação Nacional. Uma fotografia que circulou pelos corredores da clandestinidade nos anos sessenta e na qual se pode observar Álvaro Cunhal dez anos mais novo do que quando os portugueses o conheceram após o 25 de Abril.
Na capital da União Soviética, Álvaro Cunhal, estava como peixe na água. Mais ainda então, com o afastamento de Krustchev, quatro meses antes, de quem não apreciava as atitudes de extrovertida heterodoxia e a exuberância anti-estalinista.
2005/05/29
Cessa "direito de matar" mulher
2005/05/25
Morreu Ludgero Pinto Basto
é o título do artigo do jornalista António Melo, hoje no Público, de que reproduzo os extractos seguintes:
O médico Ludgero Pinto Basto foi ontem a enterrar, em Lisboa, depois de uma vida inteiramente dedicada aos ideais de solidariedade humana e igualdade social. Cultivou-os na maçonaria, onde se iniciou em 1928, e no Partido Comunista Português de que foi militante e dirigente, a partir de 1931. Tinha 96 anos e encontrava-se enfermo há alguns meses. Em Abril do ano passado foi condecorado com a Grande Ordem da Liberdade.
... mas sempre acusou Estaline de ter pervertido o projecto de Lenine.Esteve na guerra civil de Espanha, onde se encontrou com Togliatti, líder comunista italiano, de pequena figura, mas que ficou a admirar pela sua determinação.
2005/05/16
Ao princípio era ...a Coisa
Depois, ao longo de um ano, os posts acrescentaram bonitos textos e belas fotos da Westfália com tanto engenho que "A Coisa da Micas" se transformou n' "A Casa da Micas". Parabéns
2005/05/13
Ainda sobre W.Bush em Riga
Vem isto a propósito de um post que coloquei [aqui]. e que, em resumo, diz que não faz sentido a crítica de Bush a Roosevelt ou Churchil que teriam sido indulgentes com Stalin nos acordos de Yalta.
Victor Sousa do Estranho Estrangeiro teve a amabilidade de deixar um comentário, que agradeço, no qual, demarcando-se de Bush, considera fazer sentido a posição que ele expressou em Riga:
"O Mundo Ocidental livre, que englobava as potências que emergiram da 2ª Guerra Mundial ostentando o poder decorrente da vitória, sentiram pudor em aplacar os intentos de Estaline. O erro, indubitavelmente, existiu. Os presentes na conferência em Yalta anuiram à subjugação dos países do Báltico devido à descortesia que isso representaria para com os soviéticos."
Contrariando esta ideia sustento que as bandeiras da "liberdade" e dos "direitos humanos" , são grandes bandeiras dos democratas mas na boca de imperialistas servem apenas para combater com "legitimidade" as ditaduras que não lhes convêm, no caso, ao Tio Sam.
Assim os dólars jorram para libertar a Ucrânia, a Geórgia, a Bielorúcia e outros Estados mais ou menos ditatoriais ou invadem o Iraque, ou conquistam Granada, ou bombardeiam Manágua e levam preso o Chefe de Estado da Nicarágua, ou derrubam Governos democraticamente eleitos como o de Allende no Chile ou de Arbentz na Guatemala. Mas ou reina a maior indiferença ou são mesmo amparadas as ditaduras que servem os interesses dos EUA, como a Arábia Saudita, o Kuwait, o Paquistão, o Egipto, a Indonésia (enquanto durou Suharto), Portugal de Salazar, Espanha de Franco, a Grécia dos coronéis e todas as que enxameavam a América Latina.
Mesmo relativamente à 2ª Guerra Mundial anotemos os "escrúpulos" dos grandes poderes que comandam o Estado norte-americano.
De 1939 a 45 as filiais da General Motors (proprietária da Opel desde 1929) na Alemanha nazi produziram 50% dos motores dos melhores bombardeiros da Luftwaffe, os Junker 88. GM e Ford produziram 80% das viaturas médias e 70% dos camiões pesados do Exército Alemão. Em 1943 no auge da guerra as filiais da GM, conceberam e construiram os motores para o primeiro avião a jacto do mundo, o Messerschmitt 262.
Depois da guerra a GM e a Ford conseguiram que o Governo norte-americano as indemnizassem pelos prejuízos sofridos nas suas fábricas, ao serviço de Hitler, pelos bombardamentos cegos da aviação dos... Estados Unidos. A primeira recebeu 33 milhões de dóllars, a Ford só um milhão.
Menos sorte teve Prescot Bush, avô do actual W.Bush que acabou por ver contrariados os seus interesses em várias empresas que possuia na Alemanha e negócios com o regime nazi relativamente ao qual tinha uma atitude simples e ordeira: fazer dinheiro. Não tinha qualquer simpatia especial pelo Fuher. Nem tão-pouco qualquer rebate de consciência com os campos de concentração ou a morte dos soldados americanos. Era um cidadão do mundo, um homem de negócios. Aproveitava a oportunidade. Como manda a moral comercial. Como faz W. Bush.
Memórias da 2ª GM. O massacre de Katyn
420 mil militares polacos foram aprisionados pelos alemães e 250 mil pelos soviéticos.
Em 1943, as tropas nazis durante a ocupação da Rússia, descobrem na floresta de Katin valas comuns com milhares de corpos de oficiais polacos assassinados. Informam o mundo e atribuem o crime ao Exército Vermelho. Os soviéticos negam e atribui-o aos nazis. Para não prejudicar a aliança necessária com a URSS os aliados (EUA,Inglaterra) não procuraram aclarar o caso.
Só com Ieltsin após a queda do regime comunista, a Rússia reconheceu a autoria do crime de Katyn.
Por ordem de Stalin, na Primavera de 1940, foram assassinados na floresta de Katyn, cerca de 22 mil oficiais "reaccionários" polacos. Um dos mais repugnantes crimes do ditador soviético.
Os comunistas, com a boa fé que resultava da fé no comunismo, tinham passado a vida a negar, a denunciar a "intriga" e as "falsas acusações imperialistas" sobre esse nefando crime "nazi".
2005/05/06
2005/05/03
Casa na Duna - Dia de Sol

Hoje sentei-me sobre a duna
Olhei o brilho curvo até ao céu
Olhei embriaguei-me de olhar
O sol voltou como eu não queria
Pensei na noite negra e nas estrelas
Não sei olhar a luz assim tão forte
Enquanto não voltares
Não quero o sol não quero a chama
Enquanto não voltares
Quero as ondas do mar só nos meus olhos
Depois? Voltar a casa
Talvez voltar…
(Poesia de Monalisa, no Sítio da Saudade e fotografia de João Coutinho)
O Aborto? Por cá tudo bem!
Há uns anos atrás, digamos 50 anos, na minha aldeia (a 60 Km de Lisboa!) as mulheres andavam de lenço na cabeça (cabeça tapada como as do Islão!). Se alguma fazia uma "permanente" (arranjar o cabelo) era estigmatizada e tido tal propósito como sinal claro de mau comportamento moral. O fundamental da moral católica girava e ainda roda em torno do sexo!
A mulher não votava, mesmo nas eleições-farsa do nosso fascismo-católico-apostólico-romano do ex-seminarista Salazar e do seu amigo e confrade de lutas político-académicas de ultra-direita, cardeal-patriarca Cerejeira.
A revolução do 25 de Abril deu uma volta nos costumes. Foi uma lufada de ar fresco no bafio da sacristia em que o ditador fascista transformara o país. Mas a nossa gentinha reaccionária tem oposto, também nos costumes, a sua muito "católica" resistência e mantido peado o país. Por isso ainda somos o resto da Europa onde mulher que faça aborto é presa.
Os "católicos" reaccionários (numa linha simétrica às dos fundamentalistas do Islão) querem, e têm conseguido, impôr como lei, aos outros portugueses, incluindo outros católicos, o seu preconceito religioso sobre o aborto, supostamente em defesa da "vida". Eles que, como o papa Voytila e Ratzinger, aceitam a pena de morte. Os mesmos que, em geral, são o suporte ideológico das políticas da máxima exploração que condenam grande parte da humanidade à marginalização, à fome e à morte precoce.
2005/04/24
Faltam poucas horas
A ditadura que amordaça este país há 48 anos vai cair. A Liberdade, a Liberdaaaaaaaaaade vem aí.
Gerações sucessivas de democratas viveram, lutaram e morreram sem ver o maior sonho da sua vida.
Será possível? Será mesmo possível? Logo? Logo à noite? Logo à meia-noite? Quando esses rapazes, os capitães do Movimento das Forças Armadas, começarem em todo o país, ao som da "senha", no Rádio Clube Português, a canção E Depois do Adeus de Paulo de Carvalho, a sair dos quartéis e ao som de Grândola Vila Morena, de José Afonso, o cantor da revolução, a pôr fim à ditadura que há meio século sufoca, este povo no conservadorismo retrógrado e tacanho de Salazar, mecenas do obscurantismo, intérprete dos interesses de umas centenas de fortunas e de uns milhares de privilegiados.
1974. 48 anos depois de um golpe militar, em 28 de Maio de 1926, que pôs fim à República, nascida em 5 de Outubro de 1910.
Vamos festejar.
CONNOSCO FOI ASSIM>
...Os nossos vizinhos, ali no patamar do prédio, davam largas à sua alegria com a queda iminente da ditadura. Afinal são antifascistas, verificávamos com agrado.
...O milagre acontecera. Ainda nos custava a acreditar. Podia ser?
A nossa ansiedade era extrema. Até por estarmos ali escondidos sem poder participar na acção. Falávamos baixo não fosse qualquer palavra mais alta ou gesto descuidado perturbar o bom andamento das operações militares.
... Corríamos as diferentes rádios e fixávamo-nos no Rádio Clube Português. A manhã foi passada num desespero eufórico e meio louco. Eu interrogava-me e «dava ordens» ao comando do Movimento. Ainda não sabia que o quartel general dos capitães era no Regimento de Engenharia da Pontinha, relativamente perto de nossa casa.
Já terão tomado a televisão? – interrogava eu.
– Assaltem a PIDE! A PIDE é absolutamente essencial – protestava eu – ignorante do plano. Prendam o Tomás e o Marcelo! Neutralizem a GNR. E o Banco de Portugal? Se calhar esqueceram-se do Banco – repreendia os capitães e olhava para a Maria a ver o que me dizia.
A manhã íamo-la passando num estado de espírito entre a exaltação, a alegria desmedida e a ansiedade por não conhecermos suficientemente a situação político-militar e também por causa da nossa inacção e impossibilidade de entrar em contacto com os outros membros do Comando Central da ARA ou com a direcção do PCP.
– Escuta, escuta, escuta!
– Olha apanharam um rádio do Comando da GNR!
– É um comandante a dar ordens a uma força inimiga. Para ir para o Rossio.
– Grava, grava as ordens – tínhamos um gravador de som onde íamos gravando as principais informações para no intervalo das notícias as voltarmos a apreciar e nos convencermos que era tudo bem real...
–Não podemos dar fôlego ao inimigo! – aconselhava eu, platonicamente, do meu esconderijo, os insurrectos e associava-me a eles mas infelizmente só em espírito.
Se não atacam depressa ainda perdem, prevenia, senhor da teoria de muitas revoluções. É preciso atacar, atacar, atacar, sem dar fôlego ao inimigo!
– E os presos políticos? Oh caraças. Deviam ir a Caxias e a Peniche! Depressa!
...
E assim passámos a manhã bebendo cada palavra da rádio e levitando.
...
Os nossos filhos deviam estar espantados com a nossa agitação. O José Alexandre, que viria a ser o último português a nascer na clandestinidade, com um mês e meio de idade, não se impressionou muito com o curso dos acontecimentos ao longo do dia. Talvez tenha notado algum desacerto no horário das mamadas. À Leonor, com quatro anos, já podíamos explicar alguma coisa mas era ainda prematuro dar-lhe explicação de coisas que podiam voltar atrás e depois tornar-se mais difícil controlar o uso que faria de tais informações.
À tarde saímos. A ver o ambiente. Com cautelas.
À noite saí afoito. A Maria teve de ficar em casa a tomar conta dos filhos e da casa. Sempre as mulheres… Fui a Lisboa e fiz contactos. A euforia era indescritível mas ainda contida. Nunca fiando. Os fascistas há quase cinquenta anos no poder podiam ter sete fôlegos como os gatos.
No dia seguinte saímos, quase sem cerimónias, para dar largas à nossa alegria, mas longe de casa, é claro. Dois dias depois gritava, com a multidão que rodeava a prisão de Caxias, pela libertação dos presos políticos. Todos os presos políticos. Incluindo os da ARA e da LUAR e de outras organizações revolucionárias. E não apenas alguns, como ainda tentou impor Spínola, o general que, na circunstância, os capitães aceitaram por Presidente da República provisório.
Entretanto fomos contactados por Jaime Serra que nos anunciou a chegada de Cunhal no dia seguinte. Disse-nos que já podíamos sair mas que mantivéssemos a casa completamente clandestina, sem revelar nada a vizinhos, amigos ou família. Era o que já estávamos a fazer.
Depois foi o regresso do exílio de Mário Soares e de Álvaro Cunhal. E por fim a manifestação do 1.º de Maio em Lisboa. Aquele 1º.º de Maio!… Uma euforia. Uma loucura. Toda a gente veio para a rua. Em todo o país. Em quase todo o país!
No Dia do Trabalhador, o primeiro que era festejado em liberdade nas últimas dezenas de anos, em Lisboa formou-se um mar de gente como nunca se vira antes. Nem depois…! De todas as ruas confluía uma multidão para o estádio da Avenida do Rio de Janeiro que viria a se chamar Estádio 1.º de Maio. Uma alegria e fraternidade incontidas. Pais com bebés às cavalitas. Jovens e velhos. Gente de todas as condições. Ricos e pobres. Operários e intelectuais. Até as crianças partilhavam os risos, as saudações, sem perceberem bem o que se passava. As nossas também lá iam connosco e participavam a seu modo. Naquele momento todos nos julgámos irmãos. Nunca mais se repetiu uma coisa assim. Nem podia repetir. Era a Libertação. Libertação duma ditadura de meio século. As pessoas ainda não vinham enquadradas por partidos, que ainda não existiam legalmente, nem por cartazes ou palavras de ordem partidárias e «politicamente correctas». Cada um trazia no olhar uma alegria incontível, no gesto solidariedade a transbordar e à volta da cabeça ver-se-ia com certeza uma auréola de esperança do tamanho do universo.
Fomos à procura da família. A minha mãe estava na terra, no Vilar, uns quilómetros ao norte de Torres Vedras, e foi fácil encontrá-la. Para ela o fim do fascismo era também o fim da solidão e amargura em que se encontrava, com o falecimento do meu pai em 1970, com a filha exilada em França e o filho algures em parte incerta. Encontrar os pais da Maria não foi tão fácil assim.
José Pulquério e Úrsula Machado viviam há muitos anos na clandestinidade quando em 1968 foram presos pela PIDE. A mãe, libertada em Novembro de 1972 e o pai em Março, de 1973 viviam com a filha mais nova Maria José e tinham mudado de residência há pouco tempo. A irmã mais velha, Úrsula, mas conhecida por Luísa Basto, pseudónimo, primeiro da clandestinidade, depois artístico, encontrava-se em Moscovo onde completou um curso superior de canto e só regressou a Portugal em Junho de 1974. Visitávamos a família mas ainda não a podíamos convidar para a nossa casa que se manteve clandestina durante mais algum tempo.
Inesquecíveis foram também os reencontros com os amigos que não víamos há dez anos. Muitos tinham novas moradas que tentávamos descobrir. Outros tinham casado e com pessoas que não conhecíamos ou não esperávamos. As festas, as reuniões, os jantares, os serões, as tertúlias eram vividos em festa contínua. A intervenção política, social, a revolução cultural e dos costumes, na rua, nos locais de trabalho, na universidade, nas sedes dos partidos, nos convívios, nas casas dos nossos amigos, nas nossas casas, a discussão, a disputa e o combate político com os colegas, com a família, com os amigos, com os aliados, com os adversários e com os que ainda restassem, era a nossa irreprimível e ininterrupta festa-revolução.
A luta contra o fascismo, o empenhamento total que nos exigiu, foi uma experiência tão marcante que não se esquece mais. A Revolução e o envolvimento permanente e empolgante com que nos arrebatou durante ano e meio foi uma experiência que raras gerações tiveram oportunidade de usufruir.
A actividade da ARA, parcela importante da luta dos antifascistas que ao longo de muitos anos combateram o regime salazarista e ajudaram a preparar as condições para a revolução de Abril, tinha chegado ao fim. Agora era a vez dos capitães do Movimento das Forças Armadas darem o golpe decisivo na ditadura e, com o povo, sujeito da História, novamente de pé, participarem na construção do Portugal moderno.
Lisboa, 15 de Junho de 2000.
In "ARA - Acção Revolucionária Armada" - A história secreta do braço armado do PCP, Publicações D. Quixote e de que se fala [aqui]
2005/04/20
Um caso de bradar aos céus
Apesar da gravidade trata-se de um caso menor, no contexto do Estado.
O Governo encontrava-se demitido e em gestão, as eleições marcadas para 20 de Fevereiro de 2005, a perspectiva de o PSD/CDS conservar o poder, nula.
A EDAB é uma empresa de capitais públicos com o objectivo de criar no aeroporto militar de Beja um aeroporto civil, principalmente vocacionado para carga, mas não só, que articulado com o Alqueva, o porto de Sines, (entrada na Europa) o parque industrial de Sines e a base Logística aí a ser implantada, pudesse constituir um triângulo de desenvolvimento do Alentejo. O aeroporto civil de Beja é uma grande e já velha aspiração da região e a EDAB tem os seguintes accionistas:
• Direcção Geral do Tesouro - DGT - (Ministério das Finanças) - 77,5 %;
• Associação de Municípios do Distrito de Beja - AMDB - 10%;
• Núcleo Empresarial da Região de Beja - NERBE - 2,5%;
• Empresa de Desenvolvimento de Infra-estruturas do Alqueva -EDIA- 2,5%;
• Comissão de Coordenação e Desenvolvimento da Região do Alentejo-CCDRA- 2,5%;
• Promoção, Gestão de Áreas Industriais e Serviços - PGS - (parque industrial e futuro polo logístico de Sines) 2,5%;
Fora da tutela do PSD apenas estava a AMDB de influência PCP e o NERBE onde a influência do PSD é afinal também dominante.
A Assembleia Geral da empresa teria lugar em Março de 2005. Mas em Março… Já seriam outros a mandar.
O aparelho local do PSD estava desunido na repartição das prendas e alguns, alheios à divisão dos despojos, talvez estivessem sinceramente contra tão escandaloso descaramento.
O presidente do Conselho de Administração, Mourato Grilo, que não ia ser reeleito, estava contra a manobra.
O presidente da mesa da assembleia geral seguido da maioria dos accionista, que não do capital social, adiou a AG para 28 de Março e com vários accionistas abandonou a sala. O accionista DGT reúne de seguida nova AG e procede à
- Eleição de novo Conselho de Administração (substituição do presidente e de um vogal);
- Aumento dos ordenados dos membros do CA;
- Contratação de 6 funcionários e mais 3 assessores;
- Autorização de acumulação de funções do presidente no vogal José Gaspar.
O escândalo é público e ocupa durante semanas a rádio local Rádio Pax, jornais locais e... blogs.
Para além de assegurar por três anos o "job" no Conselho de Administração a uns amigos, o Governo que sabe que a empresa não tem dinheiro, aumenta-lhes os vencimentos e contrata injustificadamente mais pessoal.
A EDAB prescindiu do período experimental inicial dos novos contratados para que ficassem logo após as eleições imediatamente efectivos e pudessem ser como tal indemnizados. Em Fevereiro a empresa não tinha dinheiro para os vencimentos!
Eis o que nos diz a Rádio Pax:
"Em declarações exclusivas à Rádio Pax, João Pulo Ramôa o governador civil de Beja (PSD) defende que José Gaspar e Mário Rui Resende (vogais do Conselho de Administração da EDAB) deveriam ser imediatamente despedidos."
"Recorde-se que, na passada sexta-feira avançámos, em exclusivo aqui na Rádio Pax, que os dois vogais do conselho de Administração propuseram em reunião do conselho de administração da EDAB, a contratação de mais pessoal. Para além desta proposta, foi apresentada outra que prevê a delegação de poderes no vogal José Gaspar, detentor do pelouro de pessoal, para que este seleccione, admita e elabore os respectivos contractos a celebrar com os novos funcionários.
No final desta reunião, Mourato Grilo (presidente do CA que não será reeleito) afirmou que se dissocia clara, pública e completamente de todas as contratações que vierem a ser feitas na EDAB até à tomada de posse do novo conselho de administração e que não tenham a sua assinatura. …Perante esta situação, João Pulo Ramôa (governador Civil de Beja) confessa-se revoltado e triste com o que se está a passar na EDAB, condenando o facto de se estarem a colocar os interesses pessoais e de grupos acima dos interesses da empresa. O Governador Civil de Beja afirma que, as contratações pretendidas pelos vogais da Empresa de Desenvolvimento do Aeroporto de Beja são feitas sem o aval do governo. [Desculpas tolas - digo eu aqui no Memórias - pois se foi o Governo através da DGT (Ministério das Finanças) que tudo autorizou e fez!] João Paulo Ramôa vai mais longe e diz mesmo que José Gaspar e Rui Resende devem ser despedidos e responsabilizados pelos danos e prejuízos causados à EDAB.
Luís Serrano diz que estas contratações cheiram mal. O Presidente do NERBE, um dos accionistas da EDAB, sublinha que é uma pouca-vergonha o que se está a passar na empresa que gere os destinos do aeroporto de Beja.
A Associação de Municípios do Distrito de Beja acha estranho que se avance agora com contratações. Segundo Carlos Beato, Presidente da AMDB, esta situação é inaceitável. Luís Ameixa, o presidente da Federação do Baixo Alentejo do P.S. diz que, se trata de uma atitude completamente incorrecta.
Opinião partilhada por José Soeiro, o cabeça de lista da CDU por Beja".
[Está tudo aqui na Rádio Pax].
Isto passou-se sob a tutela e nas barbas do impoluto e muito cristão ministro Bagão Félix. Estaria o ministério nesta fase em roda livre e o ministro a leste?
Este minúsculo caso não ilustra apenas o santanismo, um barrosismo de Parque Mayer no seu estertor. Ilustra por um lado a corrupção do poder que obviamente não atinge só a direita. Ilustra por outro lado a degradação sofrida pelo PSD, que aplaudiu e acompanhou Durão e Santana, no sentido do populismo e da falta de escrúpulos e ilustra ainda a tradição da direita se sentir dona do país e a única com verdadeiro direito ao poder.
2005/04/15
Truca Truca
1982. Discutia-se na Assembleia da República o aborto e a IVG. João Morgado, deputado do CDS sai em defesa do obscurantismo da direita:
"O acto sexual é para ter filhos!"
Natália Correia deputada, creio que independente na lista do PSD, respondeu ao colega com um poema que distribuiu profusamente nas bancadas do parlamento e provocou a gargalhada geral.
O Truca Truca
Já que o coito - diz Morgado-
Tem como fim cristalino,
Preciso e imaculado
Fazer menina ou menino;
E cada vez que o varão
Sexual petisco manduca,
Temos na procriação
Prova de que houve truca- truca.
Sendo pai de um só rebento,
Lógica é a conclusão
De que viril instrumento
Só usou – parca ração!-Uma vez.
E se a função
Faz o órgão – diz o ditado –
Consumada essa excepção,
Ficou capado o Morgado.
Natália Correia
2005/04/11
As estações da CP ai que bonitas são
O texto que acompanhava a fotografia pura e simplesmente desapareceu num daqueles passes de mágica em que a informática por vezes é tão fértil. Tentava corrigir o Português e ao sublinhar o texto vai ele... evaporou-se. Pelo lapso as minhas desculpas. Tentarei refazê-lo mais tarde, se tiver paciência e vagar, apesar da sua nenhuma importância.
Na essência dizia que a Estação do Pinhão (fotografia roubada ao João Tunes no seu Água Lisa 2) é muito bonita e mais ainda pelos afectos a ela ligados que a sua memória revisitou. E que cada um de nós tem a sua estação. Bonita com seus azulejos e jardins que guarda momentos felizes ou amargos aonde às vezes voltamos.
Pinhão e Torres Vedras cada uma com sua estação.
ELECTROZAVODSKAYA

As estações do Metro da capital soviética (agora da Rússia) eram o cartão de apresentação da cidade e também a mim elas causaram uma surpreendente e favorável impressão quando pela primeira vez cheguei a Moscovo, em Janeiro de 1965.
As impressões, boas ou más, estão muito condicionadas pelos "pré-conceitos" que transportamos connosco. Mais do que tirar essa conclusão aos 28 anos, na segunda vez que visitava a URSS, agora por um período de nove meses, confirmava-a diariamente ao confrontar as minhas impressões e das portuguesas minhas colegas no curso do Konsomol com as de alguns colegas italianos do PSIUP, um pequeno partido "compagnon de route" dos comunistas. Onde nós estávamos sempre prontos a exaltar as maravilhas da sociedade soviética eles, um dos grupos do nosso círculo de amigos, eram frequentemente, ainda que nem sempre com razão, muito críticos.
O uso, frequente, uma ou duas vezes por semana, da Electrozavodskaya, banalizou a sua imagem e retirou aos nossos olhos os brilhos que a fotografia ostenta.
Os bilhetes, 5 copecks, 5 cêntimos de rublo, eram baratos e davam para viajar nas muitas dezenas ou talvez centenas de quilómetros da rede do metro.
A mim e às duas colegas que comigo constituíam o grupo dos portugueses (nesse ano de 1966/67 só de 3 alunos) foi dado um passaporte soviético que nos dava liberdade de movimentos num raio de 80 ou 100 Km em redor de Moscovo e munidos de tal documentos íamos a Moscovo à ópera ou ao ballet no Teatro Bolshoi ou no Palácio dos Congressos, no Kremlin, a concertos musicais na célebre Tchekovskaya Zal, a museus, ao teatro de marionetas, ao circo e até, uma vez ao futebol.
Dizíamos que éramos brasileiros aos soviéticos com quem eventualmente falávamos (uns meses de lições diárias já nos permitia falar) nos passeios por Moscovo. Na Escola eu era Carlos, a Maria Machado, Leonor e a Mariana era Ana.
Assistimos nesse ano à exibição de alguns dos maiores solistas do mundo, no piano como Sviatoslavsky Richter (talvez se escreva assim) ou David e o filho Igor Oiastrak no violino e o primeiro, depois, na regência de orquestra ou Plisetskaya no ballet.
Ou íamos ao GUM, uma espécie de armazém gigante do Grandela onde tudo tinha um ar antiquado e onde imperava, como em todo o comércio, a lógica não da pressão da oferta sobre a procura mas a inversa. Havia rublos mas a oferta ou era limitada ou era pouco apelativa e "demodé".
Também frequentávamos os restaurantes caros dos hotéis que não eram assim tão caros. E por vezes íamos a restaurantes georgianos ou arménios onde se podia comer essa coisa estravagante que aqui em Portugal chamamos azeitonas . E comprávamos discos de música a preços impressionantemente baixos.
Quando deixávamos o Metro em Electrozavdskaya apanhávamos o comboio suburbano até Vichnyki. Aí via sempre à volta da Igreja Ortodoxa, pequena mas muito bonita, vários crentes, em geral mulheres idosas réplicas perfeitas das célebres matrioscas. Depois apanhávamos um "taxi", uma carrinha de dez lugares, um tanto avelhada, para os 4 ou 5 km que nos separavam do complexo escolar, num bosque de bétulas paradisíaco.
Paradisíaco era qualificativo que provinha de muitas fontes. Por um lado porque comunistas vindos da clandestinidade em Portugal, os três, eu com 28 e as raparigas com 17 e 18 anos, estávamos em segurança, longe da PIDE, por outro, eu acabara de passar em Portugal longos meses de abstinência sexual e ali havia centenas de raparigas de todos os continentes (e hela, não havia sida! Essa maldição recente. Mas recomendaram-nos logo, particularmente às raparigas que não faziam abortos a quem fosse originário de país em que ele não fosse permitido, como aliás era o caso de Portugal) Depois o convívio, a troca de informação política e cultural, entre jovens de dezenas de países, culturas e situações políticas muito distintas, era um verdadeiro banquete espiritual. Também ajudava a região e a floresta serem muito bonitas e haver ali à mão, ginásios, desporto, piscina, cinema, música e baile (ao Sábado à noite, depois dos seminários da parte da manhã em que prestávamos provas sobre a matéria da semana), passeios pela floresta, ou ski no inverno.
Electrozavodskaya, portanto, é isto!
Memória de Barros Moura
2005/02/06
Jerónimo de Sousa admite fazer parte de um Governo do PS?>
Depois do 25 de Abril a política de alianças, particularmente com o PS, manteve-se firmemente nessa posição. Pretendeu-se até, habilmente, fazer "a aliança da classe operária com os camponeses e a pequena e média burguesia - estratégica para a vitória da revolução," fazendo a aliança POVO-MFA curtocircuitando a aliança política PCP-PS. Aliás, manifestamente impossível, por falta de vontade óbvia dos dois lados. Óbvia porque para a revolução o PS não aceitava tal aliança e para a "democracia burguesa" não a ceitava o PCP.
Desde a institucionalização do regime democrático que o PCP mete o PS na esquerda para através da soma de deputados (ou votos) na AR mostrar que no país há uma maioria de esquerda. Mas sistematicamente o considera de direita no que à política diz respeito. E que se saiba os partidos não dizem respeito a nada mais do que à política.
Apesar desta insuperável contradição (táctica) havia no passado, ainda que questionável (enquanto houve União Soviética, países socialistas e perspectivas de o capitalismo vir a ser substituido por aquele socialismo) alguma lógica na táctica e na estratégia da orientação política de Cunhal. Lutava o PCP pela revolução que levasse a Moscovo. Com a queda de Moscovo não faz sentido Jerónimo querer fazer aquela revolução. Não sabe para aonde a poderia levar. E não menos sentido faz usar a táctica e a estratégia para o mesmo desiderato.
Já não fazia qualquer sentido com Carvalhas. Nem com Cunhal no seu ocaso. Mas Cunhal tem atenuantes, depois do que foi a sua vida, e que vida! não esteve para dar o braço a torcer perante os seus inimigos. Não me enganei. Não eram adversários, eram inimigos. De vida ou morte. E, noutros tempos, talvez não só no plano político. De um e outro lado.
Portanto a descoberta de Judite de Sousa, na entrevista a Jerónimo de Sousa, hoje à noite, na RTP, não é notícia.
2005/01/30
Viver na clandestinidade
Na aldeia quase todas as pessoas eram trabalhadores assalariados sem terra. Durante o ano havia muitos dias e muitas semanas sem trabalho e isso era imediatamente a fome. Lembro-me duma manifestação, à qual se juntou toda a nossa família, em que as pessoas levavam bandeiras pretas e gritavam temos fome, temos fome. Quando o trabalho faltava muitas pessoas iam pelos campos para comerem a fruta que encontrassem.
Esta insustentável situação só se mantinha com a GNR. Volta não volta ouvia os meus pais comentarem a prisão de vizinhos. Receávamos que mais tarde ou mais cedo também levassem o meu pai. Foi o que acabou por acontecer. A nossa casa estava entre aquelas que a GNR "visitava" de cada vez que havia protestos dos trabalhadores agrícolas. Eu e as minhas irmãs, como muitas outras crianças de Vale de Vargo, crescemos no medo da GNR.
Tinha 8 anos quando os meus pais tiveram de passar à clandestinidade. Foram para local desconhecido que depois soube ser o Barreiro. Levaram a minha irmã mais velha porque já tinha terminado a instrução primária e a mais nova porque ainda não chegara à idade da escola.
Três anos depois, aos 11 anos, passei eu também à clandestinidade mas, apesar de me terem dito que era uma vida muito difícil e não podia fazer a vida das outras crianças, a clandestinidade para mim vinha acompanhada da alegria de ir viver com os meus pais e as minhas irmãs. No entanto, com a minha chegada deu-se o regresso da irmã mais nova (Maria José) para frequentar a escola e poucos meses depois partiu a mais velha (Luísa Basto) para a União Soviética onde foi estudar e depois terminou um curso superior de canto.
Ajudava os meus pais a imprimir o Avante, O Militante, panfletos, em papel bíblia muito fininho para os seus leitores o poderem esconder facilmente da PIDE.
Era um trabalho feito nas casas que habitávamos e os meus pais alugavam com nomes falsos. Usávamos umas impressoras primitivas, em que colocávamos letra a letra, as letrinhas de chumbo até completarmos os artigos e as páginas e comprimíamos contra elas manualmente, o papel e a tinta, com um pesado rolo metálico forrado de flanela. Muito primitivo mas saia bem. O quebra-cabeças era...
2005/01/28
Auschwitz e o Holocausto
“I freed Germany from the stupid and degrading fallacies of conscience, morality... we will train young people before whom the whole world will tremble. I want young people capable of violence, imperious, rentlessiously and cruel.”
Heinrich Himmler, october 1943:
“We came to the question: what to do with the women and children? I decided to find a clear solution here as well. I did not consider myself justified to exterminate the men - that is, to kill them or have them killed - and allow the avengers of our sons and grandsons in the form of their childreen to grow up. The difficult decision had to be taken to make this people disappear from the earth.”

Em cima à esquerda:Auschwitz I. Entrada do campo com a cínica legenda “Arbeit Macht Frei” (o trabalho liberta).Auschwitz was established by order of SS Reichführer Heinrich Himmler on 27 April 1940.
Em cima à direita: vista do Campo de Birkenau: About 3 km outside the mother camp, Auschwitz I, another camp, KL Auschwitz II – Birkenau, was located. This was the largest section of all three camps. The camp was built in March 1942 in the village Brzezinka. It consisted of about 250 barracks divided on 175 ha of land. Today only a small number of the barracks remain.
The prisoners in August, 1944, numbered around 100,000. As many as 200,000 prisoners were confined here during its peak.On the left (as seen from the tower) are the brick barracks of which only 45 remain today. On the right 22 wooden barracks may be seen. The rest were destroyed by the SS near the end of the war. Remnants of these barracks can be recognized by their chimneys. The camp had 4 crematoriums with gas chambers. The SS also used fire pits and funeral piles to burn bodies.
Em baixo à esquerda Um forno crematório: One out of the three chambers in the crematorium at Auschwitz I. When in operation, the crematorium had a capacity for incinerating 350 bodies per day. In each chamber 2-3 bodies were placed. In 1941 and 1942 Soviet prisoners of war and Jews from the ghettos established by the Nazis in Schlesien were murdered in this crematorium.
The crematorium was in use from 1940 - 1943. The ashes were used as fertilizer or as filling in nearby creeks and ponds. The last gassings took place in November 1944. Just prior to the liberation of the camp the SS dismantled and blew up the crematoriums. The ruins can be seen today.
Em baixo à direita: o interior de uma câmara de gás: Auschwitz I. Crematorium, mortuary used as a gas chamber.It was originally used as storage room for ammunition. September 3, 1941 experimental gassing on Soviet prisoners using Zyclon-B.
2005/01/27
Freitas Socialista
… ia eu na estrada quando a Antena I me anuncia:
"na sua crónica da Visão que hoje saíu, o Professor Freitas do Amaral diz que vai votar no PS. Afirma que Sócrates foi um bom Ministro do Ambiente e vai ser um 1º Ministro à altura de pôr isto na ordem. E… e para que reste alguma coisa do país, após as experiências de Santana Lopes, é indispensável que o Partido Socialista tenha maioria absoluta."
"Bom… já se sabe… o Professor Freitas do Amaral quer ser candidato à presidência da República e precisa do apoio do PS. Isto é, quero dizer, ele está a dizer isto por profunda convicção e não tem relação nenhuma com a sua hipotética candidatura. Aliás ele é de direita ou seja é de esquerda. Foi fundador do CDS apoiou Durão Barroso e pede o voto para os socialistas porque não gosta de Santana Lopes. Nada disto admira porque ele apoia totalmente Francisco Louçã e a extrema esquerda. Estou a falar do Iraque, certamente…
travei a fundo para não bater no carro da frente que surpreendentemente resolveu parar num sinal amarelo, Como se isto do Iraque pudesse ser critério de separação de águas entre esquerda e direita!!!…Ainda apitei instintivamente mas logo me arrependi, ou melhor, não, reparei que era uma mulher por sinal bastante mais nova que eu, sorri, abanei com a mão a fazer as pazes e compus o cabelo. Tenho uma secreta inveja das mulheres que guiam e conseguem parar nos sinais amarelos. Paciência. Lóbulo esquerdo do cérebro na mulher e o direito no Raul Vaz, a ouvi-lo…
… dizendo isto – dizia ele - não estou a concluir que o Professor Freitas do Amaral seja esquerdista porque sem dúvida que é um homem da direita excepto naturalmente quando não é. E estando ele agora a dizer isto também pode noutras circunstâncias pensar o contrário. Portanto não há dúvida que o Profess …
Não conseguindo ultrapassar o Golf da rapariga do sinal amarelo nem sequer, por causa do trânsito, pôr-me a seu lado, passei para a TSF.
Não estou com isto a pôr em causa a límpida análise de Raul Vaz. O relato que aqui faço todo ele assente nos balbuciantes alicerces da memória pode não estar ipsis verbis mas, isso posso garantir, é rigorosamente fidedigno. Raul Vaz é um comentarista altamente qualificado penso eu que não o conheço e as suas considerações são profundamente esclarecedoras. Quando esclarecem. Podendo ser vago ou muito rigoroso depende. Penso eu. Portanto isto não sendo uma crítica também não é um elogio.
Puxa vida. O estilo pega-se…
2004/12/02
João de Freitas Branco e o Ginásio Ópera
uma iniciativa inédita em Portugal
1ª Temporada de Ópera Vídeo
"Viva a Ópera em diálogo com o público, e em contacto directo com artistas e especialistas, ficando a conhecer os mecanismos da produção e realização desse espectáculo que é a Ópera e suas histórias."
1º MOMENTO - um Colóquio/Recital dedicado à apresentação da obra e em que participam especialistas e cantores que interpretarão alguns trechos da ópera em questão. A 1ª é já a 11 de Dezembro com Madame Butterfly e no recital temos Ana Ester Neves (soprano) e Pedro Chaves (tenor).
2º MOMENTO - Um jantar no restaurante Falstaff.
3º MOMENTO - a projecção do filme sobre a ópera. Em colaboração com o Hotel Vila-Galé Ópera e com o apoio de várias instituições ligadas à vida cultural.
Os bilhetes podem ser adquiridos directamente na recepção do Hotel Vila-Galé Ópera até à hora do espectáculo ou nas lojas Fnac Chiado, Fnac Colombo, Fnac CascaiShopping, Fnac Almada Fórum . 28,00 € para sócios do Ginásio Ópera e 35,00 € para não sócios.
Outros contactos? http://www.ginasioopera.com/ ginasioopera@mail.telepac.pt
2004/11/01
Memórias da Rússia em Paris
EU E A ALDEIA é um belíssimo quadro (óleo sobre tela 191x150,5 cm) de Marc Chagall pintado em Paris, cerca de 1911, na célebre La Rouche (Colmeia) um prédio onde havia um pavilhão de madeira com mais de 100 ateliés baratos e onde se concentravam artistas de todo o mundo.
O quadro, onde são perceptíveis influências de Delaunay, tem uma estrutura radial e é clara uma utilização de concepções do cubismo postas aqui ao serviço de um surrealismo poético.
O quadro de Chagall, judeu russo então com 24 anos, evoca as recordações e saudade da infância em Vitebsk, na Rússia, que estão aliás patentes em muitas outras obras suas.
2004/10/22
VOTO SECRETO: O MAL AMADO
O Comité Central (CC) do PCP vai pela primeira vez, senão nos seus 83 anos de vida pelo menos desde 1974, ser eleito por voto secreto dos delegados que se reunirão no 17º Congresso, em Almada, nos próximos dias 26, 27 e 28 de Novembro.
"Resolução do CC sobre as leis dos partidos"
"As forças dominantes e os seus representantes políticos (PSD, CDS-PP, PS), com a colaboração do Presidente da República, aprovaram leis (Lei dos partidos e Lei sobre o financiamento dos partidos e das campanhas eleitorais) que são um ataque frontal a um dos aspectos essenciais da liberdade conquistada com o 25 de Abril.
..... Estas leis são uma aberração democrática, são inaceitáveis no quadro do regime democrático e o Partido deve na sua acção desenvolver um combate sistemático contra elas com o objectivo final da sua revogação... Os autores e responsáveis por estas leis, dirigidas contra o PCP, têm em vista, o enfraquecimento e destruição do Partido...
O Comité Central considera necessário o desenvolvimento de uma acção de combate a estas leis... Assim, o Comité Central considera e propõe ao XVII Congresso que: ... - as votações no Congresso sejam em geral de braço no ar; - a eleição do Comité Central ... seja feita por voto secreto. O Partido reserva a sua posição e atitude futura para com estas leis iníquas, antidemocráticas e inconstitucionais, ..."
VI
1. Cada delegado tem direito a um voto.
O Comité Central, em 1988, sob a direcção do autêntico Álvaro Cunhal abordou "cientificamente" o método das votações.
O voto secreto foi assunto recorrente e obcecação nas seis reuniões do CC que, no ano de 1988, se ocuparam da preparação do 12º congresso do PCP, em Dezembro desse ano, no Porto. Com a União Soviética e o Muro de Berlim a abrirem fendas, o CC do PCP teve de arrostar e dar combate a uma fronda que incendiava as organizações e ateava nas suas próprias fileiras.
Eis os principais focos de incêndio:
em 1987/88 A 1990/91
O Grupo dos Seis - Vital Moreira , Álvaro Veiga de Oliveira, Victor Louro, Silva Graça, Fernando Marques, Dulce Martins e muitos outros como Zita Seabra, José Magalhães, Jorge Lemos, João Labescat, Delgado Martins, Ana Merelo;
A Terceira Via com José Saramago, Baptista Bastos, Mário de Carvalho, António Borges Coelho, Urbano Tavares Rodrigues, Joaquim Gomes Canotilho, António Hespanha, António Teodoro, Mário Vieira de Carvalho, José Barros Moura, Pina Moura, José Luís Judas, António Mendonça, José Ernesto Oliveira, Helena Neves, João Rodrigues, Victor Neto, Clara Boléo, Manuel Correia, João Galacho, Olga Areosa, Rogério Moreira, Mário Lino, José Garret, João Abel de Freitas, Fernando de Castro, Alfredo Cardoso, João Tunes, António Graça, Carlos Cidade, Raimundo Narciso.
O Grupo dos 24 de Almada com Francisco Simões, Ronaldo da Fonseca, Francisco Rocha e outros;
E a partir de 2000
Os Renovadores com Carlos Brito, Luís Sá, Edgar Correia, João Amaral, João Semedo, Carlos Luís Figueira, Domingos Lopes, Paulo Fidalgo, Cipriano Justo, Elvira Nereu, Eufrásio Filipe, Helena Medina, Carreira Marques, Jorge Gouveia Monteiro, Henrique de Sousa, Paulo Sucena, Rogério de Brito, Vasco Paiva, Vidal Pinto, Viriato Jordão e muitos outros.
2004/09/21
Foi o Comboio e não os Enciclopedistas ou a Revolução Francesa
Sobre o que penso acerca do serviço militar (SM) veja-se a intervenção que fiz no plenário da Assembleia da República em Março de 1999, ou o artigo no Janus 98-suplemento especial e outros trabalhos e artigos [aqui] ou o artigo, mais desenvolvido, sobre o SM ao longo da História de Portugal, publicado na revista Nação e Defesa nº91-Outono 99 - 2ª Série (revista do Instituto de Defesa Nacional) disponível [aqui]
Diderot, na "Enciclopédia" diz que "É necessário que... o cidadão envergue dois hábitos, o hábito do seu Estado e o hábito militar" (1). Com Montesquieu e Rousseau, os filósofos, criaram o conceito de serviço militar obrigatório (SMO) como um dever do cidadão. Mas sem o comboio o conceito talvez não tivesse feito história.
2004/09/18
Carta da Sibéria para Nova York. Em... 1933
É do Vilar do Cadaval que estou a falar. Sede de freguesia já tem um posto público de internet ainda que só 3 dias por semana.
Mas agora não vinha falar da terra mas sim como aproveitei o tempo a revolver arcas que estão no sótão e guardam coisas velhas.
Entre os papéis encontrei molhos de cartas atados com fitas de cores debotadas e num deles uma carta de um tal F. Lourenço dirigida ao meu pai, em Nova York, com a data de 29 de Julho de 1933.
Infelizmente a carta não tem o nome da cidade de onde é dirigida, talvez não se tratasse de nenhuma cidade, talvez uma vila ou mais provavelmente um povoado perdido na imensidão da Síbéria. Em todo o caso muito perto da linha do Transiberiano linha férrea que atravessa dois continentes.
A carta, com uma pequena mancha ferrosa, está muito bem conservada. Escrita à mão, com tinta que se percebe ter sido azul, letra bonita, muito legível, inclinada para a direita, em papel de carta com linhas, enchendo frente e verso da única folha.
A última mensagem já não coube nas linhas e vai na margem, em cima à esquerda, no verso.
A transcrição que está a seguir, respeita a ortografia da época, erros ortográficos e gralhas.
Ei-la:
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Cruz
Estimo a sua saude, igoalmente de todos os seus, eu bem felismente.
Já há bastante tempo que era para lhe escrever, mas como só agora nos foi dada a nossa localidade permanente, pois queria-lhe dar as minhas impressõis da nossa situação aqui. Começo por lhe diser que quando cá chegamos e que começámos a trabalhar, os nossos diretores de cá nem só nos fiseram uma grande recepção in “Moscow” como apenas viram que nós produsiamos melhor serviço de que eles esperavam trataram de nos transferir para uma localidade maior e melhor, aonde já tinha electricidade, e uma grande oficina com todas as maquinas já montadas temos cazas com aquecimento temos um grande restaurante aonde vamos comer, temos uma grande caza de banho construída a tijolo, assim como a nossa oficina e tambem tijolo. Mas as cazas de viver e o restaurante e fábrica de sarração, e fabrica de “shingles” para construção de telhados, são construídas a madeira uma construção muito sólida – então.
Estão agora construindo uma grande caza moderna estilo americano para nós americanos. Eles teem cá boas cazas, mas o grupo parece que não gosta muito de elas, e então eles para lhes fazer a vontade estão construindo esta caza. Temos rádio na caza de jantar, temos cinema lá uma vêz por outra, em fim não estou desanimado com isto. As comidas não são más, quase todos os dias temos carne duas veses, não é com muita abundância mas é fresca e é mais do que eu comia em Portugal, pão temos 800 gramas é suficiente para uma peçôa.
Já me esquecia de lhe dizer que também temos estação de caminho de ferro neste sitio que ultimamente nos foi dado. Esta é a linha que vai de Moscow a “Vladisvostok” Sibéria. Então como vão as coisas por aí? Então tem visto “a minha Vaccarela” eu escrevilhe á dias. Mande-me diser se ela tem frequentado o movimento radical. Eu queria ver se ela aqui vinha ter comigo. Por hoje nada mais, Sou quem sabe
F. Lourenço.
Agradeço que me escreva e me dê as novidades de aí.
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É claro que para mim e a minha irmã a carta tem um valor estimativo muito especial mas para além disso parece-me, ainda que singelo, um enternecedor testemunho com interesse histórico, que evoca ao vivo a grande esperança dos trabalhadores e muitos intelectuais no mundo novo que se construia na antiga Rússia dos czares desde a Grande Revolução de Outubro de 1917. E dá notícia das condições de vida na imensa taiga siberiana e também do estado de espírito do português-americano na União Soviética.
Fala na sua Vaccarela, provavelmente uma italiana, que não sei se terá ido ou não ter com o seu Lourenço como ele desejava. Lourenço está preocupado com o comportamento político da namorada e quer saber de fonte segura, o meu pai, seu companheiro do movimento radical, leia-se comunista, se ela continua a frequentar o Movimento. Isso seria também uma garantia maior para a eventual decisão, decisão muito arrojada, de se juntar ao companheiro, naquela perdida Sibéria, que apesar da inigualável beleza da infinita floresta, era uma Sibéria sem conforto e sem a oportunidade de uma visita à Broadway, à 5ª Avenida, ao Central Park ou lá acima junto às nuvens, ao terraço do Empire State Building (ainda não havia as Twin Towers).







