2015/09/06

Françoise Hardy - Le Temp de l' Amour

Ofereço-vos esta querida dos anos 60, como se o tempo não tivesse passado. 
Françoise Hardy nasceu em Paris, em 1944. E, como nós, é sensível ao tempo.

1963                                      2010                                                                    2015
Le temps de l'amour   Françoise Hardy

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Letras de músicas? É aqui: http://letras.mus.br/

2015/08/30

Pela terra de Ataturk

Passeávamos pela Istiklal Caddesi quando decidimos visitar a Torre Galata. A manhã ainda era uma criança andámos andámos, atravessamos a ponte com o nome da Torre e fomos ao grande Bazar das Especiarias. Um espanto para olhos ibéricos. Andámos mais e mais quando a fome nos avisou. Aproveitámos um restaurante/explanada que nos convidava. Um gato preto aproximou-se com um olhar turco e interrogativo. Demos-lhe keba, do nosso prato que apreciou visivelmente mas o pão, esse recusou, ainda que delicadamente. A nossa conversa ficou por ali porque o "garçon" não gostou da cena e afastou-o persuasivo com o pé.
Bem comidos, já reconciliados com Istambul que, como sabem, foi Constantinopla de não menos pergaminhos, pusemos pés ao passeio e atrevemo-nos a uma mesquita que de nós se aproximou. Por ali, mesquitas é o que mais há, como igrejas em Portugal.
Descalçava os sapatos julgava eu que em rigoroso cumprimento das regras muçulmanas quando o guardião do templo acode e me proíbe de o fazer em cima do tapete. Ali só depois de descalço. Entramos com a boca a abrir-se-nos de espanto perante tanta beleza. Um gradeamento, com uma abertura, defendia o centro interior da mesquita. Àquela zona nobre só podiam aceder os homens. Às mulheres, "seres impuros", concluí, oferecia-se-lhes as margens do templo, fora do gradeamento onde várias se postergavam convictas. No centro um dos homens gatinhava de pés e mãos e fazia longas e repetidas genuflexões, cabeça até ao chão e rabo apontado à cúpula. Meditava... que pecados terá cometido este súbdito do Grande Ataturk e agora do detestável Erdogan para tamanhas reverências.
Uma espanhola ao lado de Maria, que connosco entrou, ria-se do pecador e com o olhar dizía-nos "só visto".
Agora fico-me por aqui para não vos maçar. Mas depois conto como fomos apanhar o barco para Çiragan, no Bósforo, um pouco mais à frente. O Bósforo? Não sabem onde é o Bósforo? É o estreito que liga o Mar da Mármara ao Mar Negro ali mesmo juntinho a Istambul que sobre ele olha para o outro lado, para a Turquia da Anatólia, para a infinita Ásia. Ponho aqui o mapa.

 


2015/08/21

Bento de Jesus Caraça, um homem que abençoava as ilusões

Intervenção de Helena Neves 

na Iniciativa do Movimento Não Apaguem a Memória - NAM em parceria com campOvivo, em 5 de Janeiro de 2015, na Padaria do Povo, onde funcionou a Universidade Popular entre 1919 e 1948

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Há cem anos, nasceu uma criança do sexo masculino que, diriam mais tarde as velhas mulheres, parecia fadada por uma estrela. Estrela, sem dúvida, contraditória. Porque, se cedo se evidenciou que a sua sorte seria diversa daquela a que a origem social o destinava, e a sua vida se afirmou, desde a infância, como conquista de espaços cada vez mais amplos, o seu tempo seria breve. Ao morrer, 47 anos depois, o adulto que foi esse menino diria, segundo testemunho do sobrinho, «tão pouco tempo...» Tempo breve mas intenso. Marcando a sua época. E a nossa ainda.
 Falamos de Bento de Jesus Caraça, filho de trabalhadores rurais, nascido a 18 de Abril de 1901, em Vila Viçosa.
A morte tocou-lhe à nascença. Conta a irmã, mais nova, Filomena Caraça, que a mãe, aflita, vendo o menino a finar-se, correu à igreja a baptizá-lo, sem pensar sequer que nome pôr-lhe. Acudiu-lhe o padre, sugerindo Bento de Jesus. Mais tarde, Bento Caraça ironizará em resposta a uma crítica ao seu trabalho em O Diabo, jornal da frente intelectual mais radicalmente oposicionista e plataforma do movimento neo-realista. «Um articulista de Beja descobriu numa hora de ócio que há uma quase contradição entre o meu nome tão católico (sic) e o meu ingresso nas hostes diabólicas (re-sic). Que quer amigo? Fui baptizado à pressa e com um escasso mês de idade. Razões por que se julgaram dispensados de me consultar...»
Levado aos dois meses, pelos pais, para a Aldeia de Montoito, no Redondo, onde o pai é feitor da Herdade da Casa Branca, dá aí os primeiros passos e conhece, com pouco mais de 4 anos, as primeiras letras ensinadas por um trabalhador errante, desses que sazonalmente chegavam ao Alentejo, este trazendo, no pouco de seu, uma cartilha  escolar. Impressionada com a inteligência do menino, a senhora da herdade, D. Jerónima, torna-se «sua protectora»: assim assinará as cartas e postais que lhe escreve, até morrer, para os diferentes lugares para onde o envia a aprender a ser diferente: um homem culto.
 É neste percurso protegido que Bento Caraça passa pelo Liceu Sá da Bandeira, em Santarém, e, em 1915, se encontra no Liceu Pedro Nunes, em Lisboa, espaço de descoberta de amigos, como Luís Dias Amado, tornado quase irmão, e Carlos Botelho, pintor da cidade e dos seus entardeceres; espaço de encontro com o amor através de Maria Octávia, filha do professor de matemática, Adolfo Sena; e limiar... (continua aqui)

2015/06/22

Diego Rivera

Diego Rivera constitui com Siqueiros e Orozco o mais célebre grupo de muralistas do México. Nasceu em 1886, em Guanajuato, capital do Estado mexicano do mesmo nome e morreu na cidade do México em 1957. Fez parte com aqueles e outros artistas mexicanos do movimento revolucionário Mexicano iniciado em 1910.
A Revolução Mexicana teve como principais objectivos a reforma agrária com a distribuição de terras aos camponeses e a defesa e valorização da cultura indígena. “Tierra y Libertad” era o lema. Os movimentos revolucionários foram vencidos após vagas repressivas e o assassinato dos líderes camponeses Emiliano Zapata, em 1919 e Francisco ‘Pancho Villa’, em 1923.
O México foi o centro das atenções das Américas relativamente às artes plásticas durante as décadas de 1920 e 1930.  Os pintores mexicanos, com particular destaque para os três referidos muralistas, criaram um movimento em prol da ‘arte revolucionária’, uma arte para o povo, daí os grandes murais nos edifícios públicos nos quais se recuperava a arte pré-colombiana das civilização Maia, Asteca, Inca a par da arte moderna que se desenvolvia na Europa onde Rivera estudou, pintou e conviveu com  intelectuais e artistas dos mais destacados desse período como Picasso ou Juan Gris.
Rivera já muito famoso foi contratado para vários murais nos EUA depois de cancelada a proibição de entrada no país por ser comunista. Entre outras obras pintou um grande mural no Centro Rokefeller de NY a convite de John D. Rockefeller Jr. Este ao saber que no mural figuravam as imagens de Marx, Trotsky e particularmente destacada a de Lenine como representante de uma sociedade nova tentou convencer Rivera a apagar a figura de Lenine. Ante a recusa de Rivera este foi pago e despedido e a pintura tapada com um oleado e algum tempo mais tarde, em 1934, destruída. Rivera reproduzi-a depois com o título "O homem controla o Universo" no palácio de Belas Artes da cidade do México, com base na filmagem do mural de NY. O Mural em NY provocara uma campanha hostil da imprensa conservadora e manifestações de apoio de artistas norte-americanos.
A fonte principal é o livro de Andrea Kettenmann, biógrafa e grande conhecedora da obra de Rivera.
(Um clique amplia as imagens)

 
 Diego Rivera e Frida Kahlo a artista com quem se casou 2 vezes. Foto, em cima, pintura em baixo
 
 
Nu com Jarros (Desnudo com Alcatraces) 1944
 Retrato da Srª Dona Elena Flores de Carrillo, 1953 

 
 Tentações de Stº Antão, 1947, óleo em tela, 90x110 cm, Museu Nacional de Arte, Cidade do México
 Cântico à Terra e aos que a Trabalham e Libertam. 1926/27 Nave e cúpula de antiga capela, Universidade Autónoma de Chapingo. Faz parte de um conjunto de murais de 14 paredes principais e 27 secundárias com 370,23 m2
 

 A Conquista ou a Chegada de Hernán Cortés a Veracruz, (4,92x5,27m) 1951 - PalácioNacional Cidade do México
 
O Homem controla o Universo -1934 Fresco 4,85x11,45 m Palácio de Belas Artes Cidade do México
  
Representação de Lenine, pormenor do mural na imagem anterior
 
A América Pré-Hispânica, 1950, óleo em tela 70x90cm e capa do livro Canto General de Neruda
 


Sonho de uma Tarde de Domingo na Alameda Central, 1947/48, 4,8x15m Cidade do México
Pormenor do mural da imagem anterior.

2015/06/09

"Mulher sem Qualidade" saiu. Só por cunha ou misericórdia terá entrado.

O assunto não é assim tão transcendente como aquele do Jesus, do Vieira, do Marco e do Carvalho  mas como o vídeo foi interditado no Facebook e também ao que me dizem, no DN online, a bem da liberdade de expressão e para memória futura aqui fica.
A saída do programa da "mulher sem qualidade" foi o que de melhor restou da participação desta mulherzinha na Barca do Inferno onde entrou talvez por ser assim como ela é, bem de acordo com os tempos em que o país é governado por aquele "Homem sem Qualidade". A bem dizer 3 homenzinhos sem qualidade
A antiga jornalista e apresentadora questionava Isabel Moreira sobre os benefícios da descida da TSU proposta pelo PS. Da "Barca do Inferno", a estibordo, atirou-se à água e vaí daí a RTP não lhe lançou nenhum salva vidas. Deixou-a na água, molhada, a esbracejar. Nada que não mereça.
            
“Isto não é debate. Neste preciso momento abandono o programa. Já chega, é inacreditável o que aqui se passa.” Foi assim que Manuela Moura Guedes abandonou em directo o programa Barca do Inferno, esta segunda-feira, após uma troca intensa de argumentos com a deputada socialista Isabel Moreira. (Público online link):
"No programa da RTP Informação, a antiga jornalista da TVI questionava Isabel Moreira sobre como a descida da TSU proposta pelo PS “vai garantir emprego, crescimento, salários”. A deputada socialista defendeu que essa descida vai aumentar o consumo, argumento que Manuela Moura Guedes não aceitou e insistiu em pedir uma resposta mais concreta.
Foi neste momento que o debate subiu de tom, com a comentadora residente do programa a exigir ao humorista Nilton, que apresenta o programa, a sua intervenção para conseguir uma resposta. “Já fizeste a pergunta e ela [Isabel Moreira] já respondeu”, ripostou o apresentador, relembrando Manuela Moura Guedes que estavam “em directo” e exigindo “alguma boa educação”. Nilton frisou que a antiga jornalista da TVI não poderia “monopolizar o programa”.
Moura Guedes anunciou a decisão de abandonar o programa poucos segundos depois, pedindo “imensa desculpa aos espectadores”, e lembrou que quando existe um debate “pergunta-se e as pessoas respondem, não viram a cara para o lado”, em resposta à reacção de Isabel Moreira à sua pergunta.
A situação causou alguma surpresa nas restantes comentadoras —além de Isabel Moreira, Raquel Varela e Sofia Vala Rocha — e, após a saída de Moura Guedes, Nilton fez referência à situação que levou Santana Lopes a abandonar uma entrevista na SIC Notícias depois de ser interrompido por um directo da chegada de José Mourinho a Lisboa. “Um momento Pedro Santana Lopes na Barca do Inferno”, disse o humorista.
Isabel Moreira reagiu a esta saída no seu Facebook, referindo que “as participantes no programa não são iguais, há quem se prepare e há quem debata”. Considerou a saída de Manuela Moura Guedes como tardia e um “desrespeito total pelo público”. A deputada socialista elogiou ainda a intervenção de Nilton no debate, que “fez o seu papel de forma exemplar”.
Esta não foi a primeira vez que existiu uma saída do programa, apesar de não ter sido um abandono em directo. Marta Gautier, uma das comentadoras iniciais da Barca do Inferno, saiu após o primeiro episódio por “falta de química” com as restantes comentadoras, referiu na ocasião José Manuel Portugal, então director de informação da RTP. Marta Gautier recebeu algumas críticas, nomeadamente da parte de Manuela Moura Guedes, por se ter apresentado mal preparada para debater as questões da actualidade, em especial o mau funcionamento da plataforma Citius, o tema em discussão nesse momento.
Texto editado por Tiago Luz Pedro

Dizem que é a Natureza. Que é assim mesmo.

Todos os anos é isto. Uma explosão de cores à volta da casa.
 
 
 
 
 
 
 
 
 


2015/05/31

Pedro Baptista e o seu 2º livro de Memórias

O Alfa Pendular chegou  a Campanhã ainda não eram 17 h tomei logo ali o "urbano" para S. Bento e fui subindo os Aliados olhando para o espanto daquele portentoso edifício que, com Rui Moreira e a Câmara lá dentro, governa a "Cidade Invicta".
Não foi necessário perguntar onde é que o Pedro Batista ia fazer o lançamento do seu segundo livro de memórias. Logo à entrada do átrio uma banca com resmas do seu livro que a Afrontamento editara dizia-me que a cerimónia seria ali mesmo, no átrio grande do grande edifício da Câmara onde tanta cadeira me pareceu excessivo. Afinal não chegaram pois mal eu me distraíra a observar os cantos da casa uma multidão de amigos e curiosos disputavam os assentos.   Este 2º livro de memórias é uma reflexão sobre o caminho que o Pedro fez de braço dado com Portugal nestes últimos 40 anos.
O Pedro depois dos abraços e dos desvelos com que rodeou a minha chegada:  se tinha chegado bem, que depois me levaria ao hotel, mas antes disso teríamos o jantar com um largo grupo de amigos, correligionários e não correligionários, revolucionários e não revolucionários, gente dos partidos e outros perdidos pelos partidos. Eu acabara de chegar de Lisboa, 300 kms para o lançamento de um livro! Só mesmo o Pedro Batista!!
Convivemos lado o lado no mesmo gabinete durante quatro anos, 1965 a 1999, como deputados na bancada do PS, depois da saga da Plataforma de Esquerda e do acordo com o partido de Jorge Sampaio e a seguir de António Guterres. Só isso pode explicar aqueles 300 kms para saudar o autor  e antigo patrão do Grito do Povo e da OCMLP tudo coisas com que sempre embirrei.
Ele largou-me logo para atender uma chusma de admiradores e admiradores e garatujar umas palavras de simpatia ou louvor, o costume, nos livros que cada um ostentava como um troféu, o que me levou de imediato a olhar bem à volta para ver se descobria alguma coisa de que pudesse dizer mal. Da Câmara, da cidade, dos amigos do Pedro ou dele próprio.
Chegou então o Presidente da Câmara que foi o primeiro a discursar e fez tantos elogios ao Pedro Baptista que eu no fim até lhe disse que me pareciam elogios a mais. Falou em seguida José Manuel Lopes Cordeiro historiador da Universidade do Minho, em seguido o coronel Sousa e Catro, capitão de Abril e por fim Francisco de Assis, do PS e deputado do Parlamento Europeu mas ali, na qualidade de velho amigo do seu amigo. Apresentando o autor e os intervenientes estava José Sousa Ribeiro das Edições Afrontamento.
Dos discursos - influenciado pela comunicação social actual - não vou referir o que de substancial foi dito sobre a História de Portugal e sobre o livro que analisa esta, ao sabor do que o Pedro e a sua OCMLP, foram fazendo para tornar a vida dos Portugueses num inferno, convencidos que os encaminhavam para o paraíso. O que vou relatar são os anexins e destes lembro-me apenas de o Sousa Castro dizer de Rui Moreira que afinal visto assim ao perto, era mais alto do que ele imaginara ao vê-lo pela televisões. Deu gargalhada geral, é claro.
O Pedro Baptista, quando à 6ª feira se despedia dos colegas, na AR, dizia sem receio do despautério: até 2ªf, que "agora vou para Portugal", quando afinal ia apenas para o Porto... Por isso não me fica bem dizer aqui, ao pé dele, que o Porto está lindo, impressionado que fiquei com o belo passeio que demos e com outros amigos seus, dos tempos OMLP, pela Esplanada do Castelo e pelo Passeio Alegre.
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Da contracapa do livro

2015/05/27


2015/05/10

Georgia O' Keeffe e suas telas

«Georgia Totto O'Keeffe (Sun Prairie, Wisconsin, 15-11-1887 – Santa Fé, Novo México, 6 -3 -1986) Estudou pintura no Art Institut of Chicago e mais tarde na Universidade de Columbia em Nova Iorque. Enquadrada na pintura modernista tem telas onde pinta os sedutores arranha-céus que nos finais do século XIX encantaram também outras pintoras como Tamara de Lempika. Em 1916 conheceu o fotógrafo Alfred Stieglitz. Casariam em 1924 e Georgia começou por expor no seu atelier de Nova Iorque.
«As suas telas de paisagens e flores foram muito apreciadas a partir de 1928. Georgia é considerada uma das pintoras norte-americanas de maior sucesso do século XX.»
Isto é o q eu está ali na Wikipédia. E acrescento uma pitada de sal. Dizem que O-Keeffe e Stieglitz,  ele fotógrafo e também famoso, se deixaram levar por uma paixão de subir aos céus e que ele lhe fotografou o corpo centímetro a centímetro.
Entretanto quem goste de pintura pode comprar por 5€ e picos um livrinho sobre esta pintora muito famosa nos EUA no passado século, com muitas imagens, numa dessas vendas de livros do Metro .
Recomenda-se uma visita aqui : http://www.georgiaokeeffe.net/paintings.jsp
 
 
 

As de baixo com um clique ficam do tamanho das de cima



2015/04/29

INAUGURAÇÃO DO MUSEU DO ALJUBE

As imagens são da inauguração do "Museu do Aljube Resistência e Liberdade", em Lisboa, em 25 de Abril de 2015.
Viemos conversando, revendo amigos que não víamos desde o anterior desfile pela Av. da Liberdade. Do Marquês de Pombal ao Rossio. Aqui chegados fomos comer uma torrada, beber um café e conversar, debaixo de um largo toldo do Café Nicola que nos abrigava da impertinência da chuva.. Não ouvi os discursos. Nunca ouvi os discursos e fui a todos os desfiles! Depois abrimos os chapéus de chuva e fomos andando até ao Aljube. Reuniu-se uma multidão de umas 200 pessoas, segundo cálculo dos "peritos" Esperámos à chuva, à chuva, à chuva, a chegada do novel presidente da CML, Fernando Medina, para destapar a placa inaugural.
Entraram umas 40 ou 50 pessoas e as outras esperaram por sua vez, as que esperaram e desesperaram, à chuva, à chuva, à chuva. 
Enquanto se ia fazendo a visita guiada fui conversando com as caras que não via há muito. Não vi o conteúdo do museu. A multidão acotovelava-se e decidi ver a exposição noutra altura. E conversei. Depois ouvi os discursos do director do museu, o historiador Luís Farinha, seguido do do historiador António Borges Coelho, presidente do Conselho Consultivo do Museu e sócio honorário do Movimento Cívico Não Apaguem a Memória - NAM e por fim o discurso do presidente da CML.  
Estive atento aos discursos. Todos eles bons discursos. Sublinharam o significado do museu, o que foi aquela sinistra prisão política, com curros, celas sem luz com 2,5x1,5 metros de área onde estiveram "enterradas" por vezes meses e meses seguidos, no escuro e no silêncio de enlouquecer, portugueses que lutaram pela liberdade ganha em 25 de Abril de 1974. Estive atento aos discursos para ver se referiam que aquele museu se deve à iniciativa persistente do NAM, desde 2006. Iniciativa do NAM acolhida pela Assembleia da República, pelo ministro da Justiça de então, Alberto Costa, que libertou o edifício dos serviços do seu ministério, pelo presidente da CML, António Costa que assumiu as obras de remodelação e responsabilidade pela criação do museu cujo levantamento se apoiou no intervenção da Fundação Mário Soares e do Instituto de História Contemporânea da Universidade Nova de Lisboa. Estive atento e tanto o prof. Borges Coelho como o presidente da CML Fernando Medina, sublinharam o papel decisivo e pioneiro do NAM desde o seu início, quer como movimento, desde 2006 quer como associação a partir de 2008.
Congratulemo-nos pois. Lisboa tem o museu da luta pelo derrubamento da ditadura. O NAM empenhar-se-á em colaborar para que o museu seja um polo de irradiação dos ensinamentos da História em prol da Liberdade. 
[Nota: para que as fotos pequenas se tornem grandes chega um clique. Muitas destas fotos foram colhidas no site da CML cuja autoria não menciono por não a conhecer]
 
 A Sé de Lisboa do outro lado da rua.
 
 O Aljube à esquerda.
 

  


Isto é um curro. Se o preso levantar a tarimba pode dar até 3 passos. A porta tinha uma janelinha de uns 20x20 cm, com grades que deixava entrar uma réstia de luz vinda do corredor escuro. Muitos não enloqueceram