2009/12/30

Paço do Duque na sede da PIDE



















Está em marcha um movimento de protesto, por email, para gef@gef.pt. (empresa proprietária do denominado "Paço do Duque" ) a exigir que a placa evocativa dos quatro manifestantes assassinados pela Pide, no dia 25 de Abril de 1974, seja reposta no seu lugar, na fachada da antiga sede da PIDE e agora condomínio privado de luxo "Paço do Duque". (ver imagens no post anterior)
Quem pretender participar na divulgação da sua mensagem nos Caminhos da Memória envie cópia para: caminhosdamemoria@gmail.com.
Os últimos portugueses mortos pela PIDE:

F. Carvalho Gesteiro, de 18 anos de idade, empregado de escritório, de Montalegre;
Fernando Luís Barreiros dos Reis, de 24 anos de idade, soldado, de Lisboa,
J. Guilherme Rego Arruda, de 20 anos de idade, estudante, natural dos Açores;
José James Harteley Barnetto, de 37 anos de idade, natural de Vendas Novas.

2009/12/29

A sede da PIDE travestida de Paço do Duque

Um dos principais objectivos do Movimento Cívico Não Apaguem a Memória! - NAM  é um memorial na Rua António Maria Cardoso junto do edifício que foi sede da PIDE/DGS.
Por desprezo dos poderes públicos pela Memória da luta pela liberdade a sede da polícia política um símbolo dos crimes do regime fascista e da luta heróica de tantos portugueses não foi preservado e foi vendido para um condomínio de luxo.
Estão em marcha diligências nomeadamente através da CML, com quem o NAM assinou um protocolo em 25 de Abril de 2009, para a criação de um memorial no local.

No dia 25 de Abril de 1974, quando a liberdade já saia à rua e a ditadura caía sem uma vítima muitos populares reuniram-se em frente da sede da PIDE exigindo pacificamente a sua extinção. Os agentes da PIDE, do interior do edifício, metralharam os manifestantes: feriram 45 pessoas e assassinaram 4.

Na fachada do edifício foi colocada em 1980 uma lápide com os nomes das vítimas deste crime impune. A lápide foi retirada para a construção do denominado "Paço doDuque". Mas como não regressava iniciaram-se os protestos. E está em marcha um grande movimento de repulsa pelo apagamento da Memória dos crimes da Pide e dos que contra ela lutaram e sofreram.[Ver aqui], [aqui], ou [aqui] entre muitos outros blogs além do movimento no Facebook em torno desta causa. (Um clic nas imagens ampliam-nas)


O protesto recente iniciou-se com uma carta da Direcção do NAM no início de Dezembro de 2009 ao dono da obra exigindo a reposição da placa. Foi reposta mas “escondida” noutro local como se pode observar pela imagem seguinte. A Placa estava no local assinalado com o quadrado a preto e foi colocada a um metro do chão mais abaixo junto à cabine amarela como a seta indica.






















O muro, com uns 50 m, em frente do cinema S. Luís, onde se pretende o memorial.

2009/12/26

Preserverar a Memória da sede da PIDE.


Em virtude do total alheamento dos poderes públicos, na preservação da Memória de um dos locais mais emblemáticos e sinistros da repressão da ditadura fascista, a sede da PIDE/DGS, na Rua António Maria Cardoso, ao Chiado, em Lisboa,  foi vendido e transformado num condomínio privado de luxo. A promoção comercial dos apartamentos no site do Paço do Duque evoca o passado longínquo de palácio da nobreza, local de festas de duques e princesas. Mas os futuros habitantes do condomínio arriscam-se a conviver menos com o tilintar dos cristais e o roçagar das sedas de duquesas e viscondesas do século XVII e mais com os gritos de horror dos portugueses torturados pelo regime de Salazar e Caetano no século XX .

Desde a sua criação, em 5 de Outubro de 2005, que o Movimento Não Apaguem a Memória - NAM procura que seja preservada tanto quanto possível a memória do local. Chegou-se a negociar com o dono da obra e a intermediação da Câmara Municipal de Lisboa, a instalação de um núcleo museológico dentro do edifício com o aproveitamento do estpaço de uma antiga cisterna e uma sala contígua com saída para a Rua Víctor Cordon. O projecto caíu num impasse a partir do momento em que o vereador indicado pelo presidente da CML Carmona Rodrigues para acompanhar o processo, Ruben de Carvalho, comunicou ao NAM que os serviços da Câmara consirderavam não ter o local condições de segurança para acesso do público, nomeadamente intervenção dos bombeiros.

De pé continua o projecto da criação no local de um MEMORIAL, eventualmente no longo muro de um palácio situado em frente do cinema S. Luís ao lado da antiga sede.

Além disso o edifício tinha junto a uma das entradas uma placa evocativa dos 4 jovens assassinados pela PIDE no dia 25 de Abril de 1974 quando um ajuntamento popular espontâneo se manifestava nas proximidades da sua sede contra a odiada polícia política.

Não tendo sido reposta a placa retirada quando se efecturam as obras, o NAM na sequência do reparo de vários cidadãos escreveu ao conselho de administração do empreendimento imobiliário uma carta a exigir a sua reposição no local onde se encontrava. (ver aqui, no blog OS CAMINHOS DA MEMÓRIA a referência feita pelo investigador de História Jorge Martins, da direcção do NAM, pela Professora Luísa Tiago de Oliveira e os "capitães de Abril"  Comandantes Almada Contreiras e Costa Correia) .

Na sequência desta diligência a placa foi recolocada na fachada do edifício mas em local tão baixo que fica escondida pelos automóveis ali estacionados. (No canto inferior direito da fotografia ).

O NAM irá exigir que a placa seja colocada onde estava. Aguarda-se o desenvolvimento desta situação.